ClickRio
Últimas
Brasil

Richarlison e Flávio Bolsonaro: entenda a disputa por ilha em Angra

Atacante diz ter investido R$ 10 milhões em imóvel na Ilha Comprida e pede investigação da Polícia Federal sobre a transferência dos direitos.

fabricio · 5 min de leitura
Richarlison e Flávio Bolsonaro: entenda a disputa por ilha em Angra
Foto: Reprodução

disputa por ilha envolvendo o atacante Richarlison, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz voltou ao centro do debate nesta quarta-feira (21), após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar que pediu à Polícia Federal uma investigação sobre a transferência dos direitos de ocupação de uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Richarlison diz ter investido cerca de R$ 10 milhões na negociação e afirma que perdeu o imóvel sem recuperar o valor aplicado. Já Flávio Bolsonaro nega participação irregular, enquanto Willer Tomaz sustenta que adquiriu legalmente os direitos de ocupação. O caso envolve uma área pertencente à União e, por isso, trata de direitos de ocupação, não da compra definitiva do terreno.

A disputa começou entre 2020 e 2021, quando Richarlison e sócios negociaram a aquisição dos direitos sobre uma mansão localizada na Ilha Comprida. O jogador afirma que entrou na sociedade com Renato Velasco, seu ex-empresário, e Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e diz ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel.

Segundo o atacante, Flávio Bolsonaro visitou a propriedade e demonstrou interesse na compra, mas a proposta foi recusada. Em vídeo publicado no sábado (17), Richarlison afirmou: “Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”.

O atleta também questionou a rapidez com que a situação administrativa teria sido regularizada em favor do grupo ligado a Willer Tomaz. “A gente estava resolvendo a papelada, e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha”, declarou.

Na quarta-feira (21), Richarlison divulgou trechos de contratos e documentos judiciais que, segundo ele, comprovam a negociação. A publicação veio após Willer Tomaz desafiar o jogador a apresentar provas anteriores a julho de 2022 que mostrassem sua ligação com a área. “Tá aí a prova, Willer Tomaz. Você falou que se eu tivesse a prova que eu comprei a ilha, você ia devolver a ilha”, disse o atacante.

O jogador também negou que tenha retomado o assunto por causa de campanha eleitoral. “Eu quero a ilha de volta, com a casa reconstruída do mesmo jeito que estava antes de você demoli-la”, afirmou. Já o agente dele, Oswaldo Botrel, declarou que Richarlison teria adquirido os direitos dos primeiros ocupantes da área.

O que disseram Lula, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

Lula também se manifestou sobre o caso nas redes sociais. No vídeo, ele disse ter pedido à Polícia Federal uma apuração sobre as circunstâncias em que os direitos de ocupação foram transferidos para uma empresa ligada ao advogado, amigo de Flávio Bolsonaro. “Em apenas uma semana, esse Willer Tomaz, possivelmente com a ajuda do Flávio, conseguiu tomar a ilha do Richarlison”, afirmou o presidente.

O presidente acrescentou que quer esclarecer a origem da transferência. “Tô pedindo pra Polícia Federal investigar pra saber aonde é que foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê uma ilha que ele tinha pagado R$ 10 milhões por ela. Nós estamos investigando”, disse. Ele também se dirigiu ao atacante: “Pode ficar certo, meu querido, que nós vamos dizer a verdade pra você. Tenha paciência que as coisas vão ser esclarecidas”.

Flávio Bolsonaro nega ter participado de qualquer irregularidade. Em novembro de 2022, ele afirmou que não tinha envolvimento na disputa e, depois, sua assessoria reiterou que ele “não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão”. A equipe também classificou a associação ao caso como “factualmente infundada e eleitoralmente motivada”.

O senador, no entanto, visitou a propriedade em 2021 acompanhado de Willer Tomaz. O advogado, por sua vez, afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação do imóvel e disse: “Você comprou a ilha de invasores. Eu tenho a escritura de compra e venda”.

Tomaz também pediu que Richarlison apresentasse escritura pública, contrato registrado ou inscrição na SPU anterior a julho de 2022, além de comprovantes do pagamento alegado. Segundo ele, a empresa ligada ao jogador perdeu a disputa nas instâncias judiciais e depois desistiu da ação.

A disputa judicial e a decisão da Justiça

O processo envolveu, do lado de Richarlison, a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada a Renato Velasco, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, empresa do jogador e de seu pai, Antonio Andrade. Do outro lado, os direitos de ocupação do imóvel estão com a WT Administração de Imóveis, empresa ligada a Willer Tomaz.

A disputa judicial tramitou por cerca de três anos na Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 2025, a Justiça manteve uma decisão favorável à empresa ligada ao advogado. Depois disso, a Sport 70 e Renato Velasco desistiram do processo.

O caso também chegou à Justiça do Distrito Federal, onde Willer Tomaz e sua empresa tentaram impedir Richarlison de publicar novas acusações nas redes sociais. O pedido previa multa de R$ 50 mil por publicação e indenização por danos morais, mas a Justiça negou a medida urgente, ao entender que a restrição poderia representar censura prévia. A ação segue em tramitação.