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Insônia: quando a dificuldade para dormir vira doença

Especialistas explicam sinais de alerta, fatores que pioram o sono e as formas de tratamento mais indicadas

fabricio · 4 min de leitura
Insônia: quando a dificuldade para dormir vira doença
Foto: Reprodução

A insônia pode deixar de ser um incômodo eventual e passar a ser um problema de saúde quando a dificuldade para dormir se repete e começa a afetar a rotina. Sinais como acordar cansado, demorar para pegar no sono ou despertar várias vezes durante a madrugada merecem atenção, segundo especialistas.

O tema foi explicado por profissionais de saúde que destacaram que a falta de sono pode comprometer humor, disposição, produtividade e bem-estar. Quando os sintomas persistem, a orientação é investigar as causas e buscar avaliação médica.

De acordo com o psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da Universidade de São Paulo (USP), a insônia pode aparecer de diferentes formas. Entre elas estão a dificuldade para iniciar o sono, os despertares ao longo da noite e o despertar precoce, desde que o quadro provoque prejuízos durante o dia.

Em casos assim, a insônia não deve ser vista como parte normal da rotina. A repetição dos sintomas pode afetar atividades cotidianas e também o desempenho profissional.

Quando a insônia acende o alerta

Segundo Alexandre Azevedo, o quadro passa a ser mais preocupante quando a pessoa tem dificuldade para adormecer ou voltar a dormir, junto com fadiga e outros sintomas diurnos, em pelo menos três noites por semana ao longo de três meses. Nessa situação, há possibilidade de insônia crônica.

Para os especialistas, procurar ajuda é importante porque a avaliação profissional permite identificar outros fatores que podem estar interferindo no sono. A persistência dos sintomas também ajuda a diferenciar um episódio passageiro de um distúrbio que exige acompanhamento.

Casos relatados por pacientes mostram como a falta de sono pode afetar a rotina. Vitória, de 30 anos, disse que enfrenta dificuldades para dormir desde a infância e relata sono leve e despertares frequentes. Já Patrick, de 35 anos, contou que costuma olhar repetidamente para o relógio e que o cansaço já interferiu no trabalho.

Segundo ele, em um episódio, a sonolência foi tanta que chegou a fechar os olhos durante o atendimento a um paciente.

Telas, ansiedade e hábitos que pioram o sono

Entre os fatores que podem contribuir para a insônia estão a luz artificial e o uso de eletrônicos à noite. Celulares, tablets e computadores mantêm o cérebro em estado de alerta em um momento em que o corpo deveria se preparar para descansar.

O organismo funciona com um relógio biológico ligado aos ciclos de claro e escuro. Quando há exposição à luz em horários inadequados, esse mecanismo pode ser prejudicado, e o início do sono fica mais difícil.

A ansiedade também entra nessa conta. No caso de Patrick, o psiquiatra observou que a expectativa de passar outra noite ruim aumentava a preocupação antes mesmo de ele se deitar. “Você fica na expectativa todas as noites do quão ruim será o teu sono”, afirmou Alexandre Azevedo ao paciente.

Por isso, os especialistas recomendam mudanças de comportamento antes de recorrer a medicamentos. Entre as orientações estão manter horários regulares para acordar, buscar luz natural durante o dia, evitar telas à noite, reduzir a cafeína no fim da tarde e reservar a cama apenas para dormir.

“A medicação não vem antes das medidas comportamentais”, afirmou Alexandre Azevedo. Segundo ele, remédios podem ser considerados quando as estratégias iniciais não funcionam, sempre com avaliação profissional.

Tratamento e riscos associados à insônia

Para casos persistentes, uma das abordagens indicadas é a terapia cognitivo-comportamental para insônia. A psicóloga Kidsay Souza explica que o tratamento busca mudar hábitos, pensamentos e reações emocionais que dificultam o descanso.

Essa terapia trabalha a relação do paciente com a cama, os pensamentos que surgem na hora de dormir e a ansiedade ligada à necessidade de adormecer. O objetivo é quebrar padrões que mantêm o problema.

Além do impacto no dia a dia, a insônia também está associada a riscos para a saúde. O sono profundo participa de processos importantes do cérebro, incluindo mecanismos naturais de eliminação de substâncias acumuladas ao longo do dia.

O neurologista Diego Carvalho alerta ainda para a relação entre o distúrbio e o aumento do risco de acidente vascular cerebral, o AVC, além de problemas cardíacos. Por isso, a recomendação é não ignorar sintomas frequentes e procurar avaliação médica quando a dificuldade para dormir deixa de ser eventual.