ClickRio
Últimas
Brasil

Mortes de motociclistas em SP batem recorde em 2026, aponta Infosiga

Capital paulista contabiliza 782 mortes no trânsito de janeiro a setembro, o terceiro pior resultado da série histórica iniciada em 2015

fabricio · 4 min de leitura
Mortes de motociclistas em SP batem recorde em 2026, aponta Infosiga
Foto: Reprodução

As mortes de motociclistas em SP atingiram o maior patamar para os nove primeiros meses do ano desde 2015, quando começou a série histórica. Os dados foram divulgados na tarde desta segunda-feira (19) pelo Infosiga, sistema estadual que monitora a violência no trânsito. Ao todo, 379 pessoas que estavam em motocicletas morreram na capital paulista entre janeiro e setembro de 2026.

Isso equivale, em média, a um óbito a cada 17 horas. Além disso, o número é 4% superior aos 364 casos registrados no mesmo período de 2025, até então o recorde da série.

Capital tem o terceiro ano mais letal no trânsito

No total, 782 pessoas morreram nas ruas e avenidas da cidade neste ano, contando pedestres, ciclistas e ocupantes de automóveis. Com isso, 2026 é o terceiro período mais letal da série. Ele fica atrás apenas de 2015, com 841 mortes, e de 2024, com 798.

Na média, quase três pessoas morrem por dia em acidentes de trânsito na capital. Setembro foi o mês mais letal do ano, com 108 mortes em todos os tipos de sinistros.

Entre os ciclistas, a alta foi a maior em termos percentuais: as mortes passaram de 22 para 26, aumento de 18%. Por outro lado, houve queda apenas entre ocupantes de automóveis, de 68 para 65 registros, redução de 4,4%.

Prefeitura destaca faixa azul e ações educativas

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma manter ações permanentes para ampliar a segurança viária. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) ressalta que a faixa azul, de uso exclusivo de motos, soma 232,7 km em 46 vias e atende cerca de 500 mil motociclistas por dia.

Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), estudos indicam redução de 26,6% na taxa de severidade dos sinistros com motos que circulam pelo espaço. Conforme a administração, a gravidade das ocorrências seria 9,5 vezes menor do que nas faixas sem a sinalização.

A CET também diz promover blitze educativas com apoio da Polícia Militar, do Samu e de entidades do setor. Neste mês, a companhia lançou um curso de prevenção de acidentes e de aperfeiçoamento da pilotagem, aberto a entregadores e outros motociclistas.

Ainda de acordo com a prefeitura, outras medidas incluem operações em pontos de maior concentração de acidentes, áreas com limite de 30 km/h e rotas escolares seguras. Há ainda a ampliação do tempo de travessia e das faixas de pedestres, além de travessias elevadas e minirrotatórias.

Especialista defende ir além da faixa azul

Para Guilherme Nafalski, gerente de relações institucionais do Instituto Cordial, o aumento das viagens de moto para o trabalho e a queda no uso do transporte coletivo após a pandemia pressionam os índices. Ele afirma que também cresceu a presença de diferentes veículos nas ruas, incluindo os autopropelidos.

“A gente não vai conseguir frear esse aumento sem reduzir velocidades, fiscalizar, intervir em pontos críticos e executar o Plano de Segurança Viária, uma política bem elaborada que precisa ser colocada em prática”, diz.

Nafalski cita ainda um estudo do instituto com universidades e a consultoria WRI Strategies. De acordo com ele, a pesquisa apontou aumento de mortes em cruzamentos durante a implantação da faixa azul. Por isso, defende a retomada do Comitê Permanente de Segurança Viária, além de campanhas educativas e de intervenções físicas baseadas em dados.

Custo de R$ 6 bilhões e via mais letal

Conforme o Infosiga, a cidade registrou 26.305 acidentes de trânsito em um ano. O Detran-SP estima o custo, incluindo hospitalizações, em R$ 6 bilhões.

Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, a via mais letal foi a Marginal Pinheiros, com 14 mortes em sete acidentes fatais. No total, ocorreram 487 sinistros no local.

Estado registra queda, mas motos têm alta

Diferentemente da capital, o estado de São Paulo teve queda de 4% no total de mortes no trânsito na comparação entre os nove primeiros meses de 2025 e 2026. A única alta foi entre motociclistas, de 2%.

Por outro lado, de agosto para setembro deste ano, as mortes cresceram 8,1% no estado. O maior aumento foi entre pedestres, de 28,9%.

Em nota, o Detran-SP afirma ampliar esforços com uso de dados, educação para o trânsito, fiscalização e intervenções por vias mais seguras. O órgão diz que, apesar da alta frente a setembro do ano passado, há tendência de queda da sinistralidade no acumulado do ano em todo o estado.

O departamento afirma ainda atuar, por meio de programas como o Respeito à Vida e do Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo, em parceria com municípios, instituições estaduais e federais e a sociedade civil.