Lenacapavir: injeção contra HIV terá preço máximo de R$ 20,9 mil
Valor foi definido pela CMED, mas o medicamento ainda não está nas farmácias e depende de etapas para chegar ao SUS.

O lenacapavir, medicamento injetável de ação prolongada para prevenir a infecção pelo HIV, já tem preço máximo ao consumidor definido no Brasil: R$ 20,9 mil por aplicação, feita a cada seis meses. O lenacapavir preço foi estabelecido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
A decisão representa uma nova etapa para a chegada do produto ao mercado nacional. Ela ocorre cerca de nove meses depois de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizar o uso do medicamento como prevenção contra o HIV. O valor já aparece no sistema oficial de consulta da agência.
No entanto, a definição do preço-teto não significa que o remédio já esteja à venda. A fabricante, a Gilead Sciences, ainda precisa viabilizar a distribuição e a comercialização do produto, cujo nome comercial é Sunlenca.
O lenacapavir é considerado uma das principais inovações recentes na prevenção do HIV. Ao contrário dos medicamentos de profilaxia pré-exposição (PrEP) de uso diário, a fórmula mantém a proteção com aplicações semestrais, no abdômen, realizadas por profissionais de saúde.
Em janeiro, a Anvisa autorizou o uso preventivo em adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos. Além disso, estudos clínicos apresentados à agência mostraram eficácia de até 100% em um dos grupos pesquisados.
Já a chegada ao SUS (Sistema Único de Saúde) depende de outras etapas. O medicamento precisa passar por avaliação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e receber decisão favorável do Ministério da Saúde.
É importante diferenciar os dois processos. Enquanto a CMED fixa o preço máximo para a venda no país, o ministério negocia o valor que poderá pagar para incorporar o medicamento ao sistema público.
Em nota divulgada em setembro, o Ministério da Saúde afirmou que estuda oferecer o lenacapavir no SUS “como alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário da medicação”.
Naquele mês, um acordo entre a Gilead e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) abriu um novo caminho para o fornecimento do medicamento a países da América Latina, incluindo o Brasil. Contudo, o acordo não estabeleceu publicamente preços ou prazos para o fornecimento brasileiro.
Antes disso, o Ministério da Saúde já havia tentado negociar diretamente a compra com a fabricante, mas as conversas realizadas em julho não tiveram sucesso.



