Brasil tem 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo
Levantamento de Stanford com a Elsevier aponta alta de 3,4% em relação a 2025, mas o país continua na 24ª posição do ranking global.

O Brasil chegou a 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo, de acordo com um levantamento divulgado no dia 7. A lista é elaborada pelo pesquisador John Ioannidis, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em parceria com a empresa Elsevier.
O número supera em 3,4% o de 2025, quando o país tinha 1.461 representantes. Dessa forma, o ranking mantém a trajetória de crescimento dos últimos anos. Apesar da alta, a posição brasileira no ranking global não mudou: o país segue em 24º lugar.
Quem lidera e quem são os brasileiros mais bem colocados
No topo da lista de países estão os Estados Unidos, com 73.638 cientistas, e a China, com 37.203. Em seguida aparecem o Reino Unido (18.300), a Alemanha (10.938) e a Austrália (8.971).
Entre os brasileiros mais bem posicionados estão o médico Carlos Augusto Monteiro, da USP, e o físico Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Também constam o engenheiro Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa, o epidemiologista Cesar Gomes Victor, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e o físico José Marengo, do Cemaden.
Outros nomes citados são Deborah Malta, da UFMG, além de Pedro Henrique Brancalion, Paulo Artaxo, Mayana Zatz e Ester Sabino, todos da USP.
Como funciona o ranking
O levantamento reúne os 100 mil cientistas com mais citações ou aqueles que estão entre os 2% mais bem classificados em sua subárea. Para isso, Ioannidis usa um índice composto chamado c-score, que considera, entre outros parâmetros, as citações como autor único, primeiro ou último autor.
Os dados vêm da plataforma Scopus, a maior base mundial de resumos e citações de literatura científica revisada por pares. Eles incluem artigos publicados até o fim de 2025, e a divulgação é gratuita e pública.
A avaliação também se divide em 20 áreas e 174 subáreas do conhecimento. Segundo o autor, a divisão evita distorções. “Seria injusto comparar cientistas de uma subárea com poucos pesquisadores e poucos artigos publicados com alguém que trabalha em uma área com muitos cientistas, muitos artigos e onde é fácil acumular um grande número de citações”, disse Ioannidis.
Desde 2024, a lista traz ainda o número de artigos retratados, exceto quando a retratação decorre de erro da revista ou da editora. Conforme Ioannidis, a informação pode indicar possíveis sinais de alerta sobre a integridade científica de pesquisadores muito citados. Ele afirmou que o resultado de algumas nações é afetado por autores com muitas retratações. “Países como China e Índia têm um crescimento muito mais expressivo do que o Brasil, embora muitos deles apresentem sinais de problemas de integridade científica”, declarou.
Instituições brasileiras e avaliação do CNPq
Na edição deste ano, 259 instituições de pesquisa e ensino do país têm representantes na lista. A USP lidera, com 282 cientistas. Na sequência estão Unicamp, Unesp, UFMG, UFRJ e UFRGS.
Para o físico Olival Freire Jr., presidente do CNPq, a maior presença brasileira é compatível com a recuperação da produção científica após a pandemia e com a retomada dos investimentos em pesquisa. Ele lembrou que o país chegou a produzir cerca de 3% dos artigos científicos do mundo antes da pandemia, teve queda em 2022 e 2023 e se recuperou a partir de 2024. Segundo ele, a retomada se relaciona, primeiro, a uma normalização da atividade científica no pós-pandemia.
Além disso, Freire Jr. citou a retomada do financiamento, com três editais universais do CNPq desde 2023, contra apenas um no governo anterior. Ele ressalvou, porém, que rankings de citações devem ser analisados “com um grão de sal”, pois não consideram aspectos como a formação de pesquisadores e o embasamento de políticas públicas.
Já Ioannidis avalia que o crescimento brasileiro aparece tanto no último ano quanto na avaliação por carreira. No entanto, a estagnação do investimento em pesquisa e inovação, que passou de 1,28% do PIB em 2015 para 1,19% em 2026, pode ter freado a aceleração desse avanço.



