Quem é Mariana, atriz agredida no metrô de São Paulo
Arte-educadora relatou que foi hostilizada por usar camiseta vermelha e atacada na estação Butantã, no último domingo (18).

A agressão no metrô de São Paulo contra a atriz e arte-educadora Mariana ocorreu no último domingo (18), na estação Butantã, e ganhou repercussão após ela se pronunciar publicamente na quarta-feira (21). No vídeo divulgado, Mariana relatou ter sido atacada por um homem e pela esposa dele depois de ser hostilizada por usar uma camiseta vermelha.
Segundo o relato, o caso aconteceu enquanto ela esperava um carro de aplicativo para voltar para casa. Mariana afirmou que não participava de nenhuma manifestação política no momento da agressão.
O principal suspeito identificado no episódio é Diogo Freire Estevão, empresário do setor de logística e proprietário da DFT Logística, empresa de transportes localizada em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana de São Paulo. Ele havia participado de uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista antes da confusão no metrô.
A violência foi registrada por uma testemunha e as imagens circularam nas redes sociais. O vídeo mostra o momento em que Mariana é atingida por socos enquanto policiais militares acompanham a confusão. Depois do caso, a Polícia Militar de São Paulo abriu uma investigação preliminar para apurar a conduta dos agentes que estavam no local.
Mariana disse que passou cerca de dez anos afastada das redes sociais e decidiu criar um perfil para contar sua versão. Ela relatou que percebeu comentários ofensivos feitos por um casal e que, em seguida, as provocações passaram a ser dirigidas a ela.
“Quando faltavam poucos minutos para o carro chegar, vi um casal falando sobre a ‘lataria’ de quem vota. Até que vi que estavam apontando para mim”, afirmou. Depois disso, segundo ela, o homem passou a ofendê-la com xingamentos.
“Ele começou a falar que eu era uma vagabunda, suja, que ao contrário de mim ele sustentava 80 famílias e pagava impostos. Eu nunca tinha visto aquelas pessoas na vida”, disse.
Mariana relatou que a discussão aumentou quando Diogo se aproximou de forma intimidatória. “Aquele homem começou a me peitar como se a gente estivesse num ringue. Quanto mais ele se aproximava, mais acuada eu me sentia”, contou.
Ela afirmou que tentou afastá-lo com um empurrão, mas o empresário reagiu com socos. “Meu instinto foi empurrar ele, e foi quando ele partiu pra cima de mim e começou a desferir socos em mim. Acertou a minha cabeça e meu rosto”, declarou.
A atriz também disse ter sido agredida pela mulher que acompanhava Diogo, identificada como Leda Teixeira Freire. “De repente a mulher começou a puxar meus dreads para arrancar. Só que os dreads são o meu cabelo. Isso dói muito”, afirmou.
Mariana disse ainda que a violência começou por causa da cor da roupa. Segundo ela, o casal associou a camiseta vermelha ao apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu estava voltando para casa e apanhei porque estava vestindo vermelho”, declarou.
Versões diferentes e investigação
O episódio foi filmado por uma mulher que presenciou a agressão. Nas imagens, aparecem a confusão e policiais militares próximos aos envolvidos. Mariana contou que recebeu ajuda de algumas pessoas, inclusive da responsável pela gravação, e depois foi acolhida por uma funcionária da segurança do metrô.
Ela também afirmou ter sido alvo de risadas enquanto chorava após o ataque. Ao mesmo tempo, criticou a reação de quem presenciou a cena e não interveio de forma mais efetiva.
Diogo apresentou uma versão diferente da relatada por Mariana. Ele alegou ter sido provocado e disse que reagiu depois de ser atingido. A esposa dele, Leda, afirmou que Mariana teria iniciado o confronto.
As circunstâncias da agressão seguem sob apuração. Mariana registrou boletim de ocorrência na 14ª Delegacia de Polícia de Pinheiros, relatando agressões e ofensas.
Histórico do empresário e medidas protetivas
Diogo Freire Estevão também é investigado em outro episódio envolvendo acusações de ameaças contra uma mulher e o marido dela. Segundo documentos judiciais, a mulher relatou ter sido ameaçada pelo empresário depois de um desentendimento com Leda Freire.
Ela afirmou à polícia que Diogo teria feito ameaças de morte por telefone e mencionado possuir uma arma de fogo. A Justiça de São Paulo concedeu medidas protetivas que proíbem o empresário de se aproximar dos envolvidos, frequentar determinados locais e manter contato com eles. As medidas foram determinadas em outubro de 2026, antes da agressão registrada no metrô.
Sobre a atuação dos policiais, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que eventuais desvios de conduta serão responsabilizados. A concessionária Motiva, responsável pela operação da Linha 4-Amarela, repudiou o episódio e informou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Os advogados de Mariana criticaram a atuação dos agentes e afirmaram que os policiais deveriam ter oferecido mais proteção e acolhimento à vítima, além de adotar as providências necessárias para o registro da ocorrência.
O caso segue sob apuração, enquanto as versões dos envolvidos permanecem divergentes. A agressão no metrô de São Paulo continua repercutindo após a divulgação das imagens e do relato da atriz.



