PM é acusada de forjar flagrante com camisetas de Lula em SP
Família de adolescente apreendido em Piracicaba contesta versão policial e pede apuração sobre as roupas usadas na abordagem.

Uma operação da Polícia Militar em Piracicaba, no interior de São Paulo, passou a ser alvo de acusações de possível manipulação de flagrante após familiares de um adolescente apreendido afirmarem que policiais teriam colocado camisetas de Lula nos detidos. O caso ocorreu nesta quarta-feira (21), quatro dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, e ganhou repercussão após a divulgação de uma foto dos jovens.
Além do adolescente, de 17 anos, outras duas pessoas, de 21 e 24 anos, também foram detidas na ação. A mãe do rapaz contesta a versão apresentada pelos policiais e afirma que o filho usava uma regata azul no momento da abordagem, sem a camiseta que aparece nas imagens divulgadas.
A operação foi realizada por equipes do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) e do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), na comunidade Vitória Pantanal. Segundo a Polícia Militar, uma denúncia anônima indicou que três homens com camisetas brancas em referência ao presidente vendiam drogas em uma viela próxima a um bar na Rua Senador Saraiva. Um dos suspeitos estaria armado.
De acordo com a corporação, foram apreendidos 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340 em dinheiro. Já a denúncia de que as camisetas teriam sido colocadas nos detidos foi apresentada por familiares e outras moradoras da comunidade e ainda depende de apuração.
Mãe contesta abordagem e fala em agressões
Edna Souza Barbosa, de 33 anos, mãe do adolescente, afirmou que o filho não vestia a camiseta de apoio a Lula quando foi abordado. Ela disse que o jovem usava a regata azul e que não demonstrava interesse na disputa eleitoral.
A mulher também relatou agressões contra o filho e contra a filha de 14 anos, que teria tentado se aproximar do irmão durante a operação. Segundo Edna, o adolescente estava envolvido com drogas, mas isso não muda, na avaliação dela, a conduta dos policiais nem a exposição dos detidos com roupas de identificação política.
Ela também afirmou que a utilização das camisetas teria servido para ampliar a repercussão do caso. As acusações, assim como os relatos de agressão, precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
Moradoras dizem que tiveram roupas retiradas
Outras duas moradoras da comunidade relataram que foram abordadas por policiais militares enquanto vestiam camisetas de apoio a Lula distribuídas pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Segundo os relatos, elas estavam a caminho do trabalho quando um policial pediu os documentos e fez comentários sobre as roupas. Uma delas afirmou que o agente questionou se a camiseta era de um partido que ele chamou de “vagabundo”.
As duas também disseram que o policial perguntou se havia outras peças disponíveis e mencionou a necessidade de três camisetas. De acordo com elas, as roupas teriam sido retiradas à força. A referência ao número de camisetas chamou atenção porque três jovens apareceram nas imagens com peças de apoio ao presidente, mas essa ligação ainda não foi comprovada.
Foto foi divulgada por parlamentar
A imagem dos três detidos usando camisetas de apoio a Lula foi divulgada pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP). Na publicação, ele usou o episódio para defender o endurecimento das leis penais e a redução da maioridade penal.
Derrite parabenizou os policiais envolvidos na ação e afirmou que defende punições mais rigorosas para crimes. A divulgação da foto ampliou a repercussão política do caso, ocorrido às vésperas do segundo turno presidencial.
Enquanto os relatos não forem investigados, a suposta colocação das roupas pelos policiais deve ser tratada como acusação, e não como irregularidade comprovada.



