doença de Newcastle: frango segue seguro para consumo, diz Mapa
Foco em granja de perus em Santa Catarina levou a restrições comerciais, mas o consumo de produtos inspecionados continua liberado.

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, levou à adoção de restrições comerciais por cinco países às exportações brasileiras de produtos avícolas. Até esta quinta-feira (22), as medidas haviam sido adotadas após a identificação do vírus confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária no último domingo (18).
Apesar das limitações ao comércio, o Ministério da Agricultura afirma que o consumo de carne de frango e de outros produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial continua seguro. O órgão também reforça que não há contraindicação ao consumo desses alimentos por causa do foco identificado no estado.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Ela é causada por variantes virulentas do paramixovírus aviário do sorotipo 1, conforme a classificação da Organização Mundial de Saúde Animal.
Entre os sinais observados em aves infectadas estão dificuldades respiratórias, espirros, tremores, movimentos descoordenados, torção do pescoço, paralisia e diarreia. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com animais infectados, secreções respiratórias, fezes e materiais contaminados, como equipamentos, água e ração.
Por sua capacidade de disseminação e pelos prejuízos que pode provocar à produção avícola, a doença é de notificação obrigatória às autoridades sanitárias. Ainda assim, o ministério destaca que o consumo de produtos avícolas inspecionados permanece liberado.
Durante coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (19), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a ocorrência não representa risco à saúde humana pelo consumo de produtos inspecionados. “Eu queria destacar, porque acho que é importante a gente enfatizar, que o consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas”, disse.
Segundo o ministério, os aproximadamente 6 mil perus existentes na propriedade onde o vírus foi identificado permaneceram no local e não foram destinados à produção de carne para consumo. O foco foi confirmado em um estabelecimento comercial de criação de perus de corte localizado em Nova Itaberaba.
Países suspenderam compra de produtos avícolas
De acordo com a atualização divulgada na quarta-feira (21), México e Malásia suspenderam importações de determinados produtos avícolas provenientes de todo o território brasileiro. China, Chile e Arábia Saudita, por sua vez, limitaram as restrições a produtos originários de Santa Catarina.
No caso do México, a suspensão atinge aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e algumas categorias de aves destinadas à comercialização ou companhia. A Malásia restringiu a compra de carne, produtos cárneos e miúdos de aves do Brasil inteiro.
Já a China proibiu a importação de carne e produtos cárneos de aves originários de Santa Catarina. A Arábia Saudita adotou medida semelhante para carne e produtos cárneos vindos do estado.
O Chile também restringiu produtos catarinenses, incluindo ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos que contenham carne fresca de aves. As diferenças entre as medidas decorrem dos protocolos sanitários e dos critérios de regionalização previstos nos acordos comerciais.
Medidas de controle e vigilância
O Ministério da Agricultura informou que, junto com o Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, iniciou as ações previstas no Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. Entre as medidas estão a eliminação das aves do estabelecimento afetado, a limpeza e desinfecção das instalações e o monitoramento epidemiológico das propriedades próximas.
O governo federal também declarou emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. A medida permite intensificar ações de vigilância, prevenção e controle sanitário na região.
De acordo com o ministério, cerca de 133 propriedades serão acompanhadas pelas equipes técnicas, com avaliações clínicas das aves e coletas de amostras para exames laboratoriais. Neste momento, não está previsto o recolhimento de produtos nem a devolução de aves que já tenham saído de outras propriedades da região.
As amostras foram analisadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como laboratório de referência internacional para o diagnóstico da doença. Segundo o ministério, o material foi coletado entre 21 de setembro e 14 de outubro, no âmbito das ações de vigilância sanitária.
A ocorrência também foi comunicada à Organização Mundial de Saúde Animal e aos parceiros comerciais do Brasil, conforme os compromissos internacionais de transparência sanitária. O ministério informou ainda que continuará monitorando a situação dos demais mercados importadores e divulgará novas informações sobre as restrições comerciais conforme houver atualizações confirmadas.
Para a população, a orientação é manter o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial, além de seguir medidas básicas de segurança alimentar, como cozinhar adequadamente os alimentos, evitar contaminação cruzada e comprar produtos de estabelecimentos regularizados. Para os produtores, continuam valendo as restrições de movimentação, as práticas de biossegurança e a comunicação de suspeitas ao Serviço Veterinário Oficial.



