Malévola e amiga voltam ao Brasil após prisão no Egito
Mariana Alves e Bruna Mercatelli devem desembarcar em Guarulhos depois de serem liberadas mediante fiança em Alexandria.

As influenciadoras brasileiras Mariana Alves, conhecida como Malévola, e Bruna Mercatelli têm chegada prevista ao Brasil na noite desta quinta-feira (22), após dois dias presas no Egito. A prisão no Egito ocorreu enquanto as duas gravavam vídeos nas ruas de Alexandria, e a previsão é de desembarque por volta das 22h30 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Segundo a defesa, as brasileiras foram detidas na terça-feira (20) pela polícia egípcia e depois acusadas de comportamento obsceno. As autoridades citaram gestos de cunho sexual e assédio a pessoas em vias públicas durante a gravação do conteúdo para redes sociais.
Na quarta-feira (21), as duas foram liberadas após o pagamento de fiança e poderão responder ao processo em liberdade. O advogado Jonatha Carvalho Matos informou que o valor ficou entre 20 mil e 40 mil libras egípcias, o que equivale a cerca de R$ 2 mil a R$ 4 mil.
O caso ganhou repercussão depois que o Ministério do Interior do Egito divulgou comunicado sobre a detenção. De acordo com as autoridades, as influenciadoras foram identificadas após a circulação dos vídeos nas redes sociais, e o conteúdo teria sido gravado e publicado com a intenção de ampliar visualizações.
Como funciona a legislação egípcia
O Egito prevê punições para atos em público considerados escandalosos e para a divulgação de materiais vistos como contrários à moral pública. O artigo 278 do Código Penal egípcio estabelece prisão de até um ano ou multa para quem pratica publicamente atos ofensivos ao pudor.
Já o artigo 178 prevê pena de até dois anos de prisão e multa de 5 mil a 10 mil libras egípcias, ou uma dessas penalidades, para produção, posse com finalidade de distribuição e publicação de imagens ou materiais classificados como contrários à moral pública. Advogados egípcios e a Embaixada do Brasil no Cairo acompanharam o caso para garantir o direito de defesa das brasileiras.
Em nota, Jonatha Carvalho Matos afirmou que ainda busca esclarecer quais crimes foram atribuídos exatamente a Malévola e Bruna pelas autoridades egípcias. Ele disse que a situação está sendo acompanhada de forma contínua e prioritária, com adoção das providências necessárias e respeito à legislação local e aos tratados internacionais aplicáveis.
As duas ainda não haviam se pronunciado publicamente sobre as acusações e prisões até a última atualização. Antes da confirmação oficial da detenção, Malévola publicou vídeos dizendo que ela e Bruna haviam sido levadas por policiais a uma delegacia em Alexandria, e que os passaportes das duas foram retidos para averiguação.
Malévola tem mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram e é uma das influenciadoras trans conhecidas nas redes sociais brasileiras. Bruna Mercatelli também é uma mulher trans, segundo informações da defesa.
A influenciadora já esteve envolvida em outras polêmicas, entre elas uma denúncia de transfobia durante uma apresentação do musical Wicked, em São Paulo, além de uma prisão por desacato e lesão corporal após uma confusão em uma festa na capital paulista.



