protesto de trabalhadoras sexuais na argentina cobra proteção
Mobilização ocorreu após cinco feminicídios desde agosto e reuniu manifestações em Buenos Aires e outras regiões do país.

Trabalhadoras sexuais da Argentina fizeram um protesto nesta terça-feira (3) e paralisaram serviços em várias regiões. A mobilização, organizada pela Ammar, ocorreu após cinco feminicídios desde agosto. O objetivo foi cobrar proteção, segurança jurídica e regulamentação da atividade.
Em Buenos Aires, ativistas se reuniram diante do Congresso argentino com cartazes e megafones. Além disso, a organização pediu que as profissionais do sexo suspendessem o trabalho durante o dia. Como a prostituição não é regulamentada no país, não há dados oficiais sobre a adesão à paralisação.
Casos que motivaram a mobilização
Entre os crimes citados está o assassinato de Tatiana Fernández, de 27 anos. O corpo dela foi encontrado em 25 de outubro, em um apartamento no bairro de Retiro, em Buenos Aires. Dias depois, a polícia prendeu Renato Iván Tabella, de 28 anos, suspeito do crime.
Ele também passou a ser investigado pelo assassinato de Daniela Villalba, de 29 anos, ocorrido em Córdoba. As duas mulheres eram trabalhadoras sexuais. Em Rosário, outros dois casos também ampliaram a pressão por respostas das autoridades.
Débora Bordón, de 30 anos, morreu após ser esfaqueada em agosto. Já Bárbara Camila Aragón foi encontrada morta em uma pensão em 11 de outubro. Nos dois casos, homens apontados como clientes foram presos. O quinto caso citado pela associação foi o de Paola Vallejos, de 36 anos, encontrada morta em 8 de outubro, em Costa Azul.
Cobrança por direitos e segurança
Georgina Orellano, secretária nacional da Ammar, afirmou que a mobilização busca expor a precariedade das condições de trabalho. Segundo a entidade, a falta de regulamentação aumenta a exposição à violência e dificulta o acesso à proteção.
De acordo com a associação, algumas trabalhadoras aceitam encontros em locais considerados mais arriscados, como as casas de homens desconhecidos, para receber valores maiores. Além disso, três das mulheres assassinadas nos últimos meses morreram após se deslocarem para encontros com clientes.
Em algumas regiões argentinas, a paralisação também ocorreu de forma virtual. Trabalhadoras deixaram de atuar em plataformas e sites por algumas horas e publicaram mensagens e hashtags nas redes sociais.
Debate sobre regulamentação
A mobilização adotou o lema Ni Una Menos, usado em protestos contra a violência de gênero desde 2015. Os cartazes exibiam imagens de sapato de salto, e algumas versões traziam as frases Ni Una Puta Menos e Ni Una Trabajadora Sexual Menos.
Na Argentina, a prostituição exercida individualmente não é considerada crime. Entretanto, cafetinagem e agenciamento de trabalho sexual são proibidos. A legislação busca combater o tráfico de pessoas e a exploração sexual, mas as trabalhadoras seguem sem regulamentação profissional.
Por isso, elas não têm acesso a direitos como aposentadoria e seguro-desemprego. A Ammar afirma que essa situação aumenta a vulnerabilidade e também reforça a necessidade de proteção jurídica. A associação ainda denuncia abordagens policiais frequentes e operações em locais usados pelas profissionais.
Desde 23 de setembro, a Câmara dos Deputados da Argentina analisa um projeto de lei sobre o tema. A proposta reacendeu o debate entre grupos abolicionistas e organizações que defendem a regulamentação do trabalho sexual. Para a Ammar, o reconhecimento profissional pode ampliar a segurança e o acesso à proteção social.


