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Eleições nos EUA: Trump perde Congresso para democratas

Democratas vencem Câmara e Senado, e o presidente americano enfrenta mudança no equilíbrio político de Washington.

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Eleições nos EUA: Trump perde Congresso para democratas
Foto: Reprodução

Nas eleições nos EUA, Donald Trump sofreu uma derrota política nesta terça-feira (3), com a perda do controle do Congresso. Os democratas conquistaram a Câmara dos Representantes e o Senado, segundo projeções da Associated Press, e encerraram a maioria republicana.

O resultado marcou avanços democratas em estados como Texas, Ohio, Kansas, Iowa, Carolina do Norte e Carolina do Sul. Em alguns desses lugares, o partido não elegia um senador há décadas.

Vitórias em estados estratégicos

No Texas, James Talarico, de 37 anos, derrotou Ken Paxton, procurador-geral do estado e nome apoiado por Trump. Assim, os democratas voltaram ao Senado pelo Texas pela primeira vez desde 1993.

A disputa também teve grande custo financeiro. Segundo a Reuters, os republicanos gastaram mais de US$ 316 milhões para tentar manter a cadeira. Trump havia apoiado Paxton nas primárias, quando ele derrotou o senador John Cornyn.

O Texas também elegeu Gina Hinojosa para o governo estadual. Ela venceu Greg Abbott, que buscava um quarto mandato. Dessa forma, Hinojosa será a primeira mulher latina a governar o estado e a primeira democrata no cargo desde 1995.

Em Ohio, Sherrod Brown venceu Jon Husted e retornou ao Senado. Brown havia perdido a tentativa de reeleição em 2024, e agora reassume a disputa nacional. No Kansas, Adam Hamilton derrotou Roger Marshall, em um estado que não elegia um democrata para o Senado desde 1932.

Hamilton, pastor metodista, fez campanha com foco no custo de vida e em questões econômicas. Em Iowa, Josh Turek venceu Ashley Hinson e também ampliou o avanço democrata. Turek é bicampeão paralímpico de basquete em cadeira de rodas.

Impacto também nos governos estaduais

Na Carolina do Norte, Roy Cooper venceu Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano e apoiado por Trump. Em seu discurso, Cooper prometeu reduzir custos de saúde, moradia e alimentação.

Já na Carolina do Sul, Annie Andrews derrotou Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham. Depois da vitória, Andrews disse:

“Acho que acabamos de fazer história.”

Ela também afirmou:

“A cadeira do Senado não pertence a uma família, a um partido ou a Washington.”

Na Geórgia, Jon Ossoff garantiu a reeleição ao derrotar o deputado Mike Collins, também apoiado por Trump. Além disso, os democratas venceram disputas para governador em estados importantes.

Em Ohio, Amy Acton derrotou Vivek Ramaswamy, empresário que recebeu apoio de Trump. Em Iowa, Rob Sand venceu a eleição para o governo estadual. Na Pensilvânia, Josh Shapiro foi reeleito, enquanto Kathy Hochul conseguiu mais um mandato em Nova York.

No Novo México, Deb Haaland derrotou Gregg Hull e se tornou a primeira mulher indígena eleita governadora de um estado americano. Ela ocupou a Secretaria do Interior durante o governo de Joe Biden.

Trump reage à derrota

Trump acompanhou a apuração na Casa Branca, ao lado de integrantes do governo e assessores políticos. Depois dos resultados, ele publicou uma mensagem na Truth Social e tentou se afastar das derrotas republicanas.

“Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido por uma margem esmagadora”, escreveu o presidente.

Em entrevista ao The New York Times, Trump disse que aceitaria o resultado e demonstrou abertura para negociação. “Estamos absolutamente dispostos a aceitar esses resultados”, afirmou. Logo depois, acrescentou: “Provavelmente chegaremos a algum acordo.”

Com a vitória democrata nas duas casas, Trump perde a maioria parlamentar que sustentava sua agenda legislativa. Na Câmara, os democratas poderão controlar comissões, convocar integrantes do governo e abrir investigações.

Além disso, Hakeem Jeffries deverá assumir a presidência da Casa, tornando-se o primeiro negro no cargo. No Senado, a mudança também afeta indicações presidenciais, já que nomeações para cargos do governo e para o Judiciário dependem dos senadores.

Os resultados ocorreram em meio à insatisfação de parte dos eleitores com o custo de vida, a guerra contra o Irã e a condução do governo federal. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem dois anos após a votação presidencial.

Nesta eleição, os americanos escolheram os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara, além de senadores e governadores estaduais. Trump seguirá na Presidência até janeiro de 2029, e a próxima eleição presidencial dos Estados Unidos está marcada para novembro de 2028.