EUA votam sob interferência eleitoral sem precedentes de Trump
Midterms definem Congresso e governadores, enquanto o republicano amplia ações para contestar o sistema eleitoral.

A votação final nas eleições nos EUA ocorre nesta terça-feira (3), em meio a uma campanha de interferência eleitoral comandada por Donald Trump. As midterms definem parte do Congresso e também governadores em 36 estados.
O presidente americano tem histórico de contestar resultados eleitorais sem apresentar provas. Em 2020, ele tentou anular a vitória de Joe Biden, e, em 2024, sinalizou que poderia rejeitar um resultado favorável a Kamala Harris.
Agora, Trump também evita cravar se aceitará uma eventual derrota no pleito desta terça. Questionado no dia 27, ele respondeu:
“sim, se [os resultados] forem honestos”
O que está em jogo
As midterms ocorrem no meio do mandato presidencial. Elas fazem parte das eleições bienais para o Congresso, mesmo sem disputa pela Casa Branca. Estão em jogo 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado.
Além disso, os eleitores também escolhem parlamentares estaduais e autoridades locais. O caráter descentralizado do voto nos Estados Unidos torna a apuração mais lenta. Por outro lado, esse modelo também dificulta alterações nas cédulas.
Trump insiste na tese de fraude generalizada no sistema eleitoral americano. Entretanto, ele usa o poder do governo federal para levantar suspeitas sobre a lisura do processo. A principal ferramenta tem sido o Departamento de Justiça, conhecido como DoJ.
Ação do Departamento de Justiça
Tradicionalmente, o DoJ atua com certa independência em relação ao presidente. Porém, isso mudou sob Trump. Pam Bondi, primeira ocupante do cargo neste mandato, buscou processar adversários políticos do presidente e acabou demitida.
O sucessor dela, Todd Blanche, seguiu a mesma linha e acumulou derrotas na Justiça. Na área eleitoral, a pasta passou a focar no que chama de “integridade do voto”. Ao mesmo tempo, governos locais republicanos levaram disputas à Suprema Corte.
Essas ações resultaram em decisões que enfraqueceram o Voting Rights Act. Dessa forma, republicanos conseguiram usar novos mapas eleitorais em pelo menos sete estados. A estimativa é de ganho de nove cadeiras a mais do que o esperado.
O Departamento de Justiça também processou 30 unidades da federação. Segundo a oposição, a estratégia serviu para criar dúvidas sobre os resultados. Em outra frente, o FBI apreendeu centenas de caixas com cédulas de 2020 na Geórgia.
Especialistas classificaram a operação como incomum, e nenhuma fraude foi encontrada. O partido Democrata chamou a ação de “um ataque à democracia”. Ainda nesta terça, o DoJ informou que enviou mais de mil monitores eleitorais para 50 estados.
Esses monitores devem registrar eventuais problemas para investigações posteriores. Até a publicação desta notícia, não havia relatos de problemas em locais de votação. Assim, a atenção continua concentrada no resultado das eleições nos EUA e no efeito das ações de Trump.



