Suástica em escola francesa no Rio gera reação de alunos e professores
Caso no Lycée Molière, em Laranjeiras, levou a suspensão de dois alunos e a críticas à resposta da direção.

O desenho de uma suástica em escola francesa provocou reação de professores e alunos do Lycée Molière, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. O caso ocorreu durante uma atividade escolar e levou à suspensão de um adolescente por um dia, em outubro. Parte da comunidade, porém, considerou a medida insuficiente.
O episódio passou a circular em grupos de WhatsApp, onde professores e integrantes da comunidade escolar comentaram a gravidade da situação. Além disso, mensagens compartilhadas nesses grupos apontaram preocupação com a resposta da direção. Também houve relatos de receio entre docentes para formalizar denúncias, por medo de consequências profissionais.
Relatos de outros conflitos
As mensagens que circulam entre integrantes da escola também citam outros desentendimentos envolvendo os mesmos estudantes. Além disso, os relatos mencionam a saída de um professor no primeiro semestre. Segundo essas informações, o docente teria deixado a instituição após conflitos com alunos e divergências com a administração.
De acordo com os relatos compartilhados por colegas, esse professor deverá retornar à França. Enquanto isso, os episódios ampliaram os questionamentos sobre a condução dos conflitos internos. A relação entre professores, estudantes, famílias e direção também entrou no centro das discussões.
Posição do Lycée Molière
Em nota enviada à coluna de Ancelmo Gois, a direção do Lycée Molière afirmou que repudia ideologias contrárias aos princípios de diversidade, respeito, tolerância e diálogo. A escola informou que identificou dois alunos envolvidos e comunicou o caso às famílias. Segundo a instituição, ambos foram suspensos imediatamente.
No caso do adolescente que fez o desenho, os responsáveis foram chamados para uma reunião com uma comissão educativa. Essa comissão reúne representantes da direção, professores, pais e estudantes. Além disso, a escola disse que o aluno deverá participar de atividades de reflexão e conscientização sobre ideologias totalitárias.
A direção também informou que o estudante receberá acompanhamento escolar nos próximos meses. A instituição esclareceu ainda que o material danificado era um trabalho de ciências feito por estudantes. Portanto, não se tratava de uma obra de arte da artista plástica Marcela Bonfim, como havia sido divulgado.
O Lycée Molière contestou também a informação de que o episódio envolveu vandalismo de uma obra de arte ou relação com racismo. A escola afirmou que é uma instituição internacional francesa sem fins lucrativos. Além disso, declarou que defende liberdade, igualdade, tolerância, pluralismo e combate a todas as formas de discriminação.
Na manifestação, a instituição disse que os estudantes devem frequentar o ambiente escolar com segurança e respeito. Isso vale, segundo a nota, independentemente de origem, cor da pele, religião, orientação sexual, identidade de gênero, deficiência, convicções ou opiniões políticas. Ao final, a comunidade acadêmica reafirmou o repúdio ao episódio e o compromisso com um ambiente escolar diverso e inclusivo.



