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Eleições nos EUA: Trump pode perder o controle do Congresso hoje?

Midterms definem o equilíbrio de forças em Washington e podem dificultar a agenda do presidente Donald Trump até 2029.

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Eleições nos EUA: Trump pode perder o controle do Congresso hoje?
Foto: Reprodução

Eleições nos EUA ocorrem nesta terça-feira (3) e definem o controle do Congresso americano. A votação, conhecida como midterms, pode alterar a força do governo de Donald Trump em Washington.

Embora o nome do presidente não apareça nas cédulas, a disputa funciona como teste de apoio ao governo republicano. Hoje, os republicanos controlam a Câmara dos Representantes e o Senado.

Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado. Além disso, os eleitores escolhem governadores em 36 estados, representantes de assembleias estaduais e autoridades locais.

O resultado pode influenciar a capacidade de Trump de aprovar projetos até janeiro de 2029. Entenda como funciona o Congresso dos EUA e por que essa disputa pesa tanto para a Casa Branca.

Disputa apertada nas duas Casas

Na Câmara, os republicanos chegam com maioria estreita. O partido tem 218 deputados, além de um independente alinhado à bancada, enquanto os democratas ocupam 214 cadeiras. Duas vagas seguem abertas.

Para retomar o comando da Câmara, os democratas precisam ganhar três cadeiras líquidas. Portanto, qualquer mudança pequena pode alterar o equilíbrio da Casa.

No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras. Os democratas somam 45, além de dois independentes que votam com a bancada democrata.

Nesse cenário, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras líquidas para ficar com a maioria. Das 35 vagas em disputa, 22 pertencem hoje aos republicanos.

Uma mudança no comando de uma das Casas pode dificultar a aprovação de propostas do governo. Além disso, se os democratas vencerem a Câmara, poderão abrir investigações parlamentares sobre a administração Trump.

Pesquisas mostram vantagem democrata

As pesquisas nacionais apontam vantagem dos democratas na intenção de voto para o Congresso. Segundo a média do RealClearPolling, eles têm 51,5%, contra 43,1% dos republicanos.

Esse dado, contudo, não projeta diretamente as cadeiras. Cada disputa é decidida de forma individual, estado por estado.

Historicamente, o partido do presidente perde espaço nas eleições de meio de mandato. De acordo com levantamento do Fórum Econômico Mundial, isso ocorreu em 20 das últimas 22 midterms.

Entre os estados mais observados estão Texas, Ohio, Iowa, Michigan, Maine, Alasca e Carolina do Norte. Neles, disputas competitivas podem influenciar a composição das duas Casas.

Trump também tratou a eleição como um teste para o próprio governo. Nas últimas semanas, ele participou de comícios e eventos para candidatos republicanos.

“Imaginem que também estou no boletim de voto”, afirmou o presidente durante a campanha.

Ele ainda voltou a levantar suspeitas de fraude eleitoral. Em 26 de outubro, anunciou uma recompensa de US$ 1 milhão para denúncias de fraude em eleições anteriores ou na votação de 2026.

“Anybody reporting Voter Fraud in the past Elections, or the upcoming 2026 Midterm Election, will be paid $1,000,000 upon the arrest and conviction of those that created the Fraud”, escreveu nas redes sociais.

Segundo a ABC News, a Casa Branca não esclareceu de onde sairia o dinheiro da recompensa. Trump também admitiu a chance de enfrentar dificuldades caso os democratas assumam o Congresso.

“Acho que vou me tornar o ‘Sr. Veto’”, declarou à Fox News.

Economia domina a campanha

O custo de vida aparece entre as principais preocupações dos eleitores. O aumento dos preços dos combustíveis, da moradia e da saúde pressiona o orçamento das famílias americanas.

A inflação e os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelo governo Trump também entraram no debate. Além disso, temas como imigração, aborto, segurança das eleições e funcionamento das instituições democráticas ganharam espaço.

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também passou a influenciar a discussão sobre política externa e energia. Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial levantou preocupações sobre eletricidade, infraestrutura e emprego.

Mais de 50 milhões de americanos já votaram antes desta terça-feira. Segundo o Election Lab, da Universidade da Flórida, esse número supera em cerca de 10 milhões o total registrado em 2022.

O próprio Trump votou antecipadamente na Flórida, em 24 de outubro. Já o papa Leão XIV, nascido em Chicago, votou por correspondência, segundo anúncio do Vaticano na sexta-feira (30).

A participação do pontífice foi tratada como histórica. Segundo o Vaticano, não havia registros anteriores de um papa votando em eleições nacionais durante o pontificado.

A votação nas midterms costuma ter participação menor do que as eleições presidenciais. Desde 1944, o comparecimento médio fica em torno de 42%, enquanto nas presidenciais chega a 58%.

As urnas começam a fechar na noite desta terça-feira, de acordo com os fusos horários dos Estados Unidos. Ainda assim, a definição final do controle da Câmara e do Senado pode levar dias.

Isso ocorre porque alguns estados recebem muitos votos pelo correio. Outros exigem etapas adicionais de contagem, o que prolonga a apuração.

Segundo a Associated Press, em 2022 foram necessários quatro dias para definir o Senado e oito para confirmar a Câmara. Em 2024, o Senado saiu no dia seguinte, mas a Câmara demorou oito dias.

Os parlamentares eleitos nesta terça-feira tomam posse em 3 de janeiro de 2027. Nesse dia, começa a 120ª legislatura do Congresso dos Estados Unidos.