PL pressiona Flávio Bolsonaro a recuar sobre fraude eleitoral
Direção do partido teme novos desgastes após a carta do senador e a viagem aos Estados Unidos.

A direção nacional do PL tenta convencer Flávio Bolsonaro a recuar das acusações de fraude eleitoral. A pressão cresceu após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva e a viagem do senador aos Estados Unidos.
Integrantes do partido avaliam que novas declarações do parlamentar podem ampliar o desgaste da legenda. Além disso, a cúpula teme dificuldades para reorganizar a oposição após a eleição presidencial.
A preocupação aumentou depois que Flávio divulgou uma carta com questionamentos sobre o resultado das urnas. No texto, ele chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, sem apresentar provas.
O documento não teve aval da direção partidária. Dessa forma, o PL passou a tratar o caso como um fator de divisão interna.
Valdemar critica carta de Flávio
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou publicamente a iniciativa na quinta-feira. Ele fez a declaração após visitar Jair Bolsonaro, em Brasília.
Segundo Valdemar, a carta não passou pela direção do partido. Portanto, a legenda não pretende endossar a manifestação do senador.
— Ninguém quer ter problema, ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. O Flávio passou por uma situação difícil, compreendemos, mas não aprovamos. Queremos tocar o país para a frente — afirmou.
Valdemar também disse que a saída de Flávio do Brasil surpreendeu integrantes do partido e da família Bolsonaro. De acordo com ele, Jair Bolsonaro não foi comunicado antes da viagem.
— Nem o Bolsonaro sabia, ninguém sabia, eu também não sabia — declarou.
Rogério Marinho também se distancia
Outro nome da cúpula do PL também se afastou das acusações. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio, disse que não existem elementos para sustentar denúncia de fraude eleitoral.
Na quarta-feira, Marinho afirmou que não foi consultado sobre o conteúdo da carta. Além disso, destacou que o partido não pode fazer essa afirmação sem provas.
— O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido — disse.
Marinho também declarou que desconhece como Flávio pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. Ainda assim, ele preservou o peso político do senador dentro da direita.
Pressão para evitar novo desgaste
Dentro do PL, a leitura é que a insistência em acusações sem comprovação pode atrapalhar articulações no Congresso Nacional. O foco do partido, portanto, passou a ser a reorganização da oposição.
A preocupação envolve, sobretudo, as negociações sobre as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Dirigentes defendem que a legenda concentre esforços na atuação institucional e na ampliação de influência nas duas Casas.
Nesse cenário, novas declarações de Flávio nos Estados Unidos são vistas como risco para a estratégia partidária. O receio é que ele volte a questionar a legitimidade do resultado eleitoral.
A carta foi divulgada na quarta-feira, depois que o senador deixou o Brasil em meio a uma investigação conduzida pelo STF. Na primeira versão, ele se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
Depois, o texto foi substituído por outra versão, na qual Flávio passou a se definir como líder do Brasil. No entanto, os questionamentos ao resultado das eleições permaneceram.
Com isso, a cúpula do PL tenta reduzir o impacto político do episódio. O objetivo agora é evitar que a crise interna comprometa a atuação da legenda nos próximos anos.



