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Cedae inicia obra da nova estação do Guandu em Nova Iguaçu

Projeto de R$ 2,1 bilhões prevê reforço no abastecimento da Baixada e da Zona Oeste, com conclusão estimada para 2030.

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Cedae inicia obra da nova estação do Guandu em Nova Iguaçu
Foto: Reprodução

A Cedae iniciou a montagem do canteiro da nova estação do Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O trabalho começa 12 anos após o anúncio do projeto e integra um complexo orçado em R$ 2,1 bilhões.

A obra deve beneficiar três milhões de pessoas em municípios da Baixada e em bairros da Zona Oeste do Rio. Além disso, a companhia prevê concluir a construção em abril de 2030.

Projeto prevê seis reservatórios

O sistema Novo Guandu terá uma nova estação de tratamento, seis reservatórios e estações elevatórias. Também estão previstos quase seis quilômetros de redes de adutoras e tubulações.

Do total investido, R$ 1,35 bilhão ficará com a construção da ETA Novo Guandu. Inicialmente, a unidade terá capacidade para produzir 7,5 mil litros de água tratada por segundo.

Quando as duas unidades estiverem funcionando, a capacidade conjunta chegará a 50 mil litros por segundo. Dessa forma, a nova estrutura passa a complementar a antiga estação do Guandu, construída na década de 1950.

O presidente da Cedae, Rafael Rolim, considera o empreendimento fundamental para a segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio. Segundo ele, a intervenção busca evitar problemas de abastecimento nas próximas décadas.

Impacto no abastecimento

A ETA Novo Guandu será construída no bairro Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, a cerca de três quilômetros da estação antiga. A proximidade permitirá integrar as duas estruturas e transferir a produção de água entre os sistemas, se necessário.

Segundo Humberto de Mello Filho, diretor técnico e de projetos da Cedae, os reservatórios foram projetados para permitir esse intercâmbio. Ainda de acordo com ele, a produção inicial seguirá para a Baixada Fluminense.

Com a entrada em operação do empreendimento, parte da água hoje destinada à região poderá ser remanejada para outras áreas. Isso inclui, principalmente, a Zona Oeste do Rio.

O diretor também apontou o crescimento populacional da região como fator de pressão sobre o abastecimento. Além disso, ele citou a expansão de empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida.

Obras e financiamento

Os recursos do novo sistema vieram de financiamento contratado com a Caixa Econômica Federal em 2016. As condições preveem carência de cinco anos a partir dos gastos realizados e prazo de 20 anos para pagamento.

Rafael Rolim afirmou que a obra atravessa diferentes administrações estaduais. Por isso, ele a trata como um projeto de Estado, pela relevância para o abastecimento da população.

O presidente da companhia também demonstrou confiança na continuidade dos trabalhos no próximo governo, comandado por Douglas Ruas. Segundo ele, parte das estruturas complementares já está em construção.

Uma das principais estruturas do complexo, o Reservatório Novo Marapicu, está com cerca de 70% das obras executadas. A previsão é concluir essa etapa em 2028.

O reservatório terá papel estratégico no sistema, mas só entrará em operação quando a ETA Novo Guandu estiver pronta. Dois dos seis tanques previstos já têm as paredes concluídas.

A nova estação começará a operar com capacidade de 7,5 mil litros por segundo. No futuro, o projeto prevê chegar a 24 mil litros por segundo, com água captada por um novo canal no Rio Guandu.

Riscos e licitação

O professor Otto Corrêa Rotunno Filho, da Coppe/UFRJ, avalia que a ampliação do tratamento é importante. No entanto, ele diz que outros investimentos também são necessários.

Segundo ele, a distribuição e a redução das perdas de água também precisam avançar. Além disso, ele alerta para a dependência do Guandu em relação à bacia do Rio Paraíba do Sul.

O professor afirma que um acidente ambiental ou a entrada de contaminantes poderia comprometer a transposição. Assim, o abastecimento da população atendida pelo sistema também ficaria em risco.

A licitação da nova estação começou em outubro de 2024, mas o TCE-RJ suspendeu o processo em julho de 2025. A decisão ocorreu depois de questionamentos de uma empresa participante sobre a falta de transparência na concorrência.

Na época, o então governador Cláudio Castro criticou a suspensão e usou a palavra “sacanagem” ao comentar o caso. A declaração provocou reação da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, que divulgou nota de repúdio.

A construção ficará a cargo do consórcio Nova Guandu, sediado em São Gonçalo e liderado pela Heca Construtora Ltda. A Cedae também prepara uma solenidade para o começo de dezembro, quando deve lançar a pedra fundamental do empreendimento.