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María Corina agradece a Trump e diz não ter diálogo com Lula

Líder opositora venezuelana falou após voltar ao país e comentou eleições, transição democrática e acordo petrolífero.

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María Corina agradece a Trump e diz não ter diálogo com Lula
Foto: Reprodução

María Corina Machado agradeceu a Donald Trump nesta quinta-feira (29) e disse que não conseguiu diálogo com Lula. A líder opositora falou após voltar à Venezuela no domingo (25), depois de dez meses no exílio. A María Corina Machado também defendeu novas eleições presidenciais no país.

Na primeira entrevista coletiva desde o retorno, ela afirmou que a ação de 3 de janeiro abriu caminho para a liberdade da Venezuela. Segundo a opositora, Trump, o governo dos Estados Unidos e Marco Rubio tiveram papel decisivo nesse processo. Além disso, ela disse que quer mobilizar a sociedade venezuelana em torno de um novo pleito.

Relação com Lula

María Corina afirmou manter boa relação com vários presidentes da América Latina. No entanto, disse que nunca conversou com Lula. “Nunca falei com o presidente Lula, nunca”, declarou.

Ela acrescentou que não houve falta de interesse da parte dela. A relação entre Lula e María Corina já teve atritos públicos. Em 2024, o brasileiro comparou a situação da opositora à própria experiência em 2018, quando ficou preso e não pôde concorrer à Presidência.

“Ao invés de ficar chorando, indiquei outro candidato”, disse Lula na ocasião.

Disputa eleitoral na Venezuela

A entrevista ocorreu enquanto representantes do regime e da oposição discutem o calendário eleitoral venezuelano. María Corina defendeu eleições presidenciais no ano que vem. Já Marco Rubio, segundo ela, apresentou medidas para levar o país a uma transição democrática, com novo pleito em 2027.

Mais cedo, Delcy Rodríguez prometeu eleições limpas, mas não anunciou data para a votação. Ela disse que haverá eleições previstas na Constituição, com uma autoridade eleitoral renovada e “com o mundo como testemunha”.

Delcy também afirmou que as reformas no sistema judiciário e eleitoral permitirão formar uma autoridade aceita por todos. Ela lidera a Venezuela sob tutela de Washington desde a captura de Maduro, em janeiro.

Críticas ao acordo petrolífero

María Corina voltou a criticar a falta de transparência de um acordo petrolífero firmado em agosto entre o regime venezuelano e o governo Trump. Segundo ela, o contrato teria dado aos Estados Unidos controle de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo do país. O volume equivale a cerca de 20% do total.

“Este acordo não reflete os níveis de transparência que a sociedade venezuelana deseja”, afirmou a líder opositora. Ainda assim, ela mantém apoio ao gesto de Trump e já entregou sua medalha do Nobel da Paz ao republicano.

Antes disso, María Corina passou mais de um ano escondida na Venezuela e deixou o país em 2025 para receber o Nobel da Paz. Ela apoiou Edmundo González, que reivindicou a vitória na eleição contestada pela oposição e por observadores internacionais. González vive hoje na Espanha.

Assim, a líder opositora tenta reorganizar sua atuação política após o retorno ao país. Ao mesmo tempo, ela retoma críticas ao governo e pressiona por uma nova eleição presidencial na Venezuela.