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Tráfico de ovos de aves: PF faz prisões no Brasil e na Espanha

Operação Ninho Vazio mira grupo suspeito de enviar ovos de papagaios ao exterior e conta com apoio de autoridades da Espanha e da Suíça.

fabricio · 2 min de leitura
Tráfico de ovos de aves: PF faz prisões no Brasil e na Espanha
Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (19), a Operação Ninho Vazio, que combate o tráfico de ovos de aves silvestres brasileiras. A ação resultou em prisões no Brasil e na Espanha e teve a participação de autoridades espanholas e suíças. Segundo a PF, a investigação mira uma organização suspeita de enviar ovos, principalmente de papagaios, para o exterior.

De acordo com as autoridades, dois homens apontados pela PF como líderes do grupo foram presos preventivamente pela polícia espanhola na ilha de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias. As prisões foram determinadas pela Justiça brasileira. Os dois haviam viajado juntos da Suíça até o arquipélago, região que abriga criadouros e parques dedicados a papagaios e a outras aves da família dos psitacídeos.

No Brasil, os policiais cumpriram dois mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão em Curitiba, no Paraná. Já na Suíça, foram cumpridos três mandados de busca na cidade de Weinfelden. Além disso, uma mulher suíça teve a prisão preventiva decretada, sob suspeita de transportar os ovos, e foi incluída na Difusão Vermelha da Interpol.

A investigação começou em outubro de 2025, quando 24 ovos de aves foram apreendidos no Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, a passageira suíça se preparava para embarcar para o seu país com o material escondido sob a roupa.

Os ovos apreendidos pertenciam a duas espécies brasileiras: o papagaio-charão e o papagaio-de-cara-roxa. Segundo as autoridades, as condições inadequadas da viagem provocaram sofrimento e alta mortalidade dos embriões.

O papagaio-charão é encontrado principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e está ameaçado de extinção. Por sua vez, o papagaio-de-cara-roxa vive no litoral de São Paulo e do Paraná e é classificado como quase ameaçado. Conforme as autoridades, a retirada dos ovos compromete a reprodução das espécies.

Ao longo das investigações, a PF verificou que o grupo fez viagens frequentes entre o Brasil e a Suíça durante cerca de 20 anos. Também há registros de várias passagens de curta duração pelo território brasileiro. Além disso, os investigadores identificaram uma divisão de tarefas entre os integrantes, que ia da obtenção dos ovos e da organização dos deslocamentos até o transporte e a receptação das aves no exterior.

Caso os crimes sejam comprovados, os suspeitos podem responder por tráfico de animais silvestres, maus-tratos, contrabando e organização criminosa. Por fim, as autoridades seguem com as investigações para identificar possíveis fornecedores, intermediários e destinatários dos animais.