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Pesquisa Datafolha: Lavareda vê Flávio como favorito vulnerável

Para o cientista político, manifestações, redes sociais e a menor rejeição ao petista mantêm aberta a disputa do segundo turno.

fabricio · 3 min de leitura
Pesquisa Datafolha: Lavareda vê Flávio como favorito vulnerável
Foto: Reprodução

A nova pesquisa Datafolha e o aumento das mobilizações políticas nas ruas mudaram a dinâmica da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é do cientista político Antonio Lavareda, que classificou o senador como um “favorito vulnerável”.

Em entrevista, Lavareda usou a expressão para descrever dois fatores ao mesmo tempo. De um lado, está a vantagem numérica apontada pelo Datafolha. De outro, estão as incertezas que cercam a reta final do segundo turno.

Por que Flávio é chamado de favorito vulnerável

Segundo Lavareda, Flávio Bolsonaro mantém a dianteira na pesquisa mencionada. No entanto, o especialista considera que a diferença entre os candidatos exige atenção às mudanças no comportamento do eleitorado, sobretudo nos últimos dias de campanha.

Assim, a expressão resume a leitura dele sobre o cenário: embora o senador apareça à frente, a disputa continua sujeita a oscilações. Lavareda ligou essa avaliação ao estreitamento da rejeição a Lula e ao crescimento das mobilizações.

Vale observar que o trecho da entrevista não trouxe os percentuais de intenção de voto, a margem de erro nem as datas de realização do levantamento. Por isso, não é possível quantificar a distância entre os candidatos com base apenas nessas informações.

Jovens e manifestações no centro da análise

De acordo com o cientista político, o movimento mais relevante da campanha não veio da propaganda eleitoral na televisão. Na visão dele, o fator decisivo foi a combinação entre a circulação de conteúdos nas redes sociais e a retomada de grandes manifestações presenciais.

Lavareda destacou, em especial, a participação de jovens de 16 a 24 anos nos atos. Em sua interpretação, o retorno de grandes contingentes às ruas gerou um efeito de “contágio político”, que vai além do público diretamente envolvido.

Além disso, o especialista avalia que manifestações numerosas podem influenciar eleitores indecisos, principalmente os que têm receio de expor publicamente suas preferências.

Redes sociais ampliam o alcance dos atos

Para Lavareda, as redes sociais funcionam em conjunto com as manifestações. Os atos nas ruas geram imagens e mensagens que circulam nas plataformas digitais, e esses ambientes, por sua vez, ampliam a repercussão dos acontecimentos políticos.

Dessa forma, a combinação entre mobilização presencial e circulação digital pode produzir efeitos diferentes dos alcançados apenas pelo horário eleitoral gratuito. Contudo, a análise não estabelece relação causal comprovada entre as manifestações e as variações da pesquisa. Trata-se de uma interpretação política do especialista.

Rejeição a Lula e disputa em aberto

Outro ponto abordado foi a rejeição ao presidente Lula. Segundo Lavareda, o clima criado pelas mobilizações e pela entrada de novos grupos nas manifestações teria contribuído para estreitar esse índice.

A rejeição é um indicador importante nas pesquisas eleitorais, pois mede a resistência dos entrevistados a votar em determinado candidato. Em disputas de segundo turno, ela ajuda a entender os limites de crescimento das candidaturas e o comportamento de quem ainda não definiu o voto.

Por fim, Lavareda relacionou a mudança na rejeição de Lula à percepção de que a disputa presidencial segue aberta, apesar da vantagem numérica atribuída a Flávio Bolsonaro no levantamento analisado.