Exército do Lula volta a publicar com Janones internado
Deputado retomou o comando do canal no WhatsApp após quase 19 horas sem mensagens, enquanto se recupera de arritmia cardíaca em hospital.

O Exército do Lula, canal de mobilização digital no WhatsApp, voltou a receber mensagens na noite desta segunda-feira (19), depois de quase 19 horas sem publicações. O deputado federal André Janones (Rede-MG), que está internado com arritmia cardíaca, retomou o comando da comunidade diretamente do hospital.
A comunidade reúne mais de 5,5 milhões de integrantes. Além disso, tornou-se uma das principais ferramentas de apoio à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais.
Por que o canal ficou parado
A pausa ocorreu porque Janones é o único administrador responsável pelo envio de mensagens e orientações aos participantes. Como não há outra pessoa designada para a função, o canal ficou sem novidades desde a madrugada. Naquele momento, o parlamentar havia comentado o debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
A última mensagem foi enviada às 00h40 de segunda-feira. Em seguida, o silêncio se estendeu até as 19h42, quando o deputado enviou um áudio com orientações.
Retomada com hashtags e foto no leito
No áudio, Janones indicou hashtags que deveriam ser usadas no X, antigo Twitter, durante uma entrevista de Lula a uma emissora de televisão. Uma das expressões divulgadas passou a figurar entre os assuntos mais comentados da plataforma naquela noite.
Logo depois, o deputado publicou uma fotografia em que aparece deitado em uma cama hospitalar, assistindo à participação do presidente na TV. Até o momento, não havia indicação de que outra pessoa tivesse sido autorizada a administrar o canal durante a ausência dele.
De acordo com boletim médico divulgado pelo hospital, a previsão era de que o parlamentar recebesse alta em até 48 horas.
Como o Exército do Lula cresceu
Criado por André Janones em abril de 2026, o canal surgiu como iniciativa independente de apoiadores do presidente. Inicialmente, servia para a troca de ideias. Com a aproximação das eleições, porém, passou a concentrar orientações para ações nas redes.
Entre as propostas do deputado estão curtidas em publicações, uso de hashtags, participação em assuntos em alta e sugestões de pesquisas no Google. Em 7 de outubro, a comunidade já havia superado 2 milhões de integrantes. Nos dias seguintes, Janones pediu que cada participante convidasse outras três pessoas. Nesta segunda, o número informado chegou a 5,5 milhões.
Desde a criação, o deputado federal defendia uma atuação mais intensa dos apoiadores no ambiente digital. Ele chegou a criticar o que chamou de “campanha fofa” da esquerda e defendeu uma disputa “sem medo, sem pudor e sem remorso”.
Embora tenha nascido de forma autônoma, o canal teve o registro providenciado pela equipe jurídica de Lula na Justiça Eleitoral, em razão do crescimento.
Duas suspensões no TSE
A atuação da comunidade também gerou questionamentos. Em 11 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a primeira suspensão do canal. Segundo a decisão, a comunidade estaria sendo usada para orientar seguidores a reproduzir conteúdos já considerados falsos pela Justiça.
No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento até que o plenário analisasse o caso. Na terça-feira seguinte, 13 de outubro, Nunes Marques voltou a suspender a comunidade. Depois, autorizou o retorno em 48 horas, após o registro oficial feito pela campanha.
Disputa digital na reta final
O episódio mostra a importância das comunidades digitais na fase final da eleição. Diferentemente das postagens convencionais, os canais de WhatsApp permitem que administradores enviem mensagens diretamente aos seguidores. Por outro lado, a centralização em um único responsável ficou evidente durante a internação de Janones.
A retomada das publicações ocorre em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o segundo turno marcado para domingo (25). Depois, a coligação de Lula pediu ao TSE que o canal “Tropa do Flávio”, ligado à campanha de Flávio Bolsonaro, também fosse suspenso pelo mesmo período, sob o argumento de que deveria haver tratamento equivalente entre as candidaturas. Após o pedido, o ministro autorizou a antecipação do retorno do Exército do Lula.



