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Protesto contra a Meta em SP cobra neutralidade nas eleições

Manifestantes foram à sede da empresa na Faria Lima para pedir transparência na moderação de conteúdos. A Meta nega favorecimento a candidatos.

fabricio · 4 min de leitura
Protesto contra a Meta em SP cobra neutralidade nas eleições
Foto: Reprodução

Centenas de pessoas participaram de um protesto contra a Meta nesta segunda-feira (19), em frente à sede da empresa no Brasil, na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Sob o slogan “Meta, não se meta na nossa eleição”, organizações da sociedade civil cobraram transparência na moderação de conteúdos, igualdade no alcance das publicações políticas e respeito à democracia.

O ato reuniu movimentos sociais e entidades que acusam a dona do Facebook, do Instagram, do WhatsApp, do Threads e do Meta AI de restringir perfis e publicações ligados a grupos políticos. Segundo os manifestantes, os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, seriam os mais afetados.

Além disso, os organizadores afirmam que tentaram entregar uma notificação extrajudicial à empresa, mas não conseguiram protocolar o documento. Por isso, o manifesto será enviado de forma digital.

Manifestantes cobram transparência

Durante o ato, os participantes denunciaram suspensões de perfis, remoções de publicações, quedas repentinas de alcance e restrições de funcionalidades sem explicações claras. Também questionaram possíveis diferenças no impulsionamento de conteúdos políticos e de anúncios eleitorais pagos.

Outra preocupação envolve a falta de proteção a grupos minoritários e o possível favorecimento de certos posicionamentos pelos algoritmos. Nesse contexto, a programadora Veronica Gimenez, da ONG TravaHacker e uma das organizadoras, defendeu que a empresa apresente informações sobre suas decisões. Ela também quer que usuários e organizações independentes possam acompanhar a moderação.

O documento reúne ainda outras reivindicações:

  • criação de canais de contestação para quem sofreu restrições;
  • reparação de danos atribuídos à plataforma;
  • preservação de registros para auditorias do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Ministério Público e da sociedade civil;
  • fim do chamado shadowban, termo usado pelos organizadores para a redução seletiva do alcance sem aviso claro ao usuário.

A mobilização foi articulada por CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil.

TSE determina igualdade na distribuição de conteúdo

O protesto ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da Meta na campanha. Em 15 de outubro, o TSE determinou que a empresa não interfira na distribuição de conteúdos político-eleitorais de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), também candidato à Presidência, até o fim do segundo turno. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 500 mil.

A decisão veio depois de a campanha de Lula alegar falhas reiteradas na entrega de suas publicações. Na semana seguinte, o ministro Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para a Meta informar as medidas adotadas para garantir igualdade na distribuição de posts políticos e na veiculação de anúncios. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, também apresentou reclamação ao TSE sobre possíveis diferenças de tratamento.

Vale ressaltar que as decisões não comprovam, por si só, uma atuação deliberada da empresa para favorecer um candidato. O objetivo é assegurar condições de igualdade na circulação de conteúdo eleitoral.

Meta nega favorecimento político

Em manifestação divulgada em 16 de outubro, a Meta afirmou que não toma partido nas eleições e que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdos com base em ideologia política. A empresa reconheceu, porém, que a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano em 23 de setembro.

De acordo com a companhia, a suspensão durou pouco mais de uma hora e ocorreu durante uma análise antifraude. O alvo era um anúncio que poderia ser confundido com uma tentativa de se passar por programa social do governo. A Meta acrescentou que o episódio não teve motivação política e que as páginas oficiais da campanha no Facebook e no Instagram não foram bloqueadas.

Quanto às ferramentas de inteligência artificial, a empresa atribuiu o problema a uma falha em suas proteções, que teria permitido a geração de materiais favoráveis a Flávio Bolsonaro. Ela também alegou que incidentes técnicos recentes afetaram as duas campanhas e que suas regras valem igualmente para todos.

Debate sobre plataformas e democracia

Os manifestantes defenderam ainda maior soberania digital e criticaram a concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia. Para os organizadores, as redes sociais e os aplicativos de mensagens influenciam diretamente o debate público, pois servem para divulgar propostas e mobilizar eleitores.

Assim, a principal cobrança é que a Meta explique como funcionam seus sistemas de moderação, recomendação e distribuição, sobretudo no período eleitoral. As explicações da empresa não encerram os questionamentos das campanhas e das entidades, e o tema ganha peso às vésperas do segundo turno.