ClickRio
Últimas
Mundo

EUA reúnem aliados na ONU contra resolução sobre embargo a Cuba

Brasil não foi convidado para o evento em Nova York; a delegação cubana protestou, e a Assembleia Geral vota o texto na semana que vem.

fabricio · 4 min de leitura
EUA reúnem aliados na ONU contra resolução sobre embargo a Cuba
Foto: Reprodução

Os Estados Unidos organizaram, nesta segunda-feira (19), uma reunião com países aliados na sede da ONU, em Nova York, para tentar enfraquecer a tradicional resolução contra o embargo a Cuba. Todos os anos, o texto reúne maioria de votos entre os 193 membros da organização.

O Brasil não foi convidado para o evento, batizado de “Cuba Livre: A Opressão que Havana Esconde”. Mesmo assim, um integrante da missão brasileira foi enviado para acompanhar os desdobramentos. Já a delegação de Cuba na ONU fez um protesto na saída da reunião.

Convite restrito foge à tradição da ONU

O encontro integrou a agenda paralela da ONU. Nesses casos, geralmente, todas as delegações são avisadas para decidirem se enviam um representante. Desta vez, porém, a tradição não foi seguida, embora o evento tenha sido transmitido ao vivo no site da organização.

O opositor cubano José Daniel Ferrer, que discursou no evento, afirmou que foram chamadas as delegações abertas a debater a rejeição da resolução. Segundo ele, o Brasil não estaria nesse grupo. O Departamento de Estado dos EUA não informou, até a publicação deste texto, quais países foram convidados.

“Mas com o resultado que esperamos no dia 25 de outubro, creio que vamos convidar o Brasil para uma próxima reunião do tipo”, disse Ferrer. Ele acrescentou: “Desejamos com toda a nossa força que Flávio [Bolsonaro] ganhe; Lula tem sido um aliado do regime cubano.”

Ferrer é um dos opositores mais conhecidos do regime comunista cubano. Ele chegou a Miami em outubro do ano passado, depois de anos preso, por meio de um acordo entre a Casa Branca e Havana que lhe garantiu exílio.

Ele alternou entre a prisão e a liberdade desde março de 2003, quando foi detido com mais de 70 opositores na chamada “primavera negra”. Foi solto em 2011, graças à Igreja Católica, mas voltou à prisão em 2021, após os protestos de julho daquele ano.

Votação na Assembleia Geral e histórico do texto

De acordo com Ferrer, o objetivo da reunião foi mostrar às delegações que o problema de Cuba não seria o embargo, intensificado no governo de Donald Trump, mas a administração da “ditadura Castro-comunista”.

A Assembleia Geral votará a resolução na semana que vem. O texto foi apresentado pela primeira vez em 1992 e, desde então, sempre recebeu maioria de votos favoráveis. No ano passado, já com Trump na presidência, 165 países votaram a favor, ante média de 190 nos anos anteriores.

A queda ocorreu porque nações como Argentina, Israel, Paraguai e Ucrânia acompanharam os EUA e votaram contra. Essa oposição pode crescer neste ano, já que os americanos ampliaram sua influência na América Latina, onde governos de direita têm votado com Washington.

Diante da ampla maioria favorável, derrubar a resolução é considerado difícil. Por isso, a Casa Branca busca reduzir ao máximo o apoio ao texto, a fim de criar uma derrota discursiva para a ilha.

Brasil e EUA tiveram exceções na votação

O Brasil costuma votar a favor da resolução. A única exceção ocorreu em 2019, no governo de Jair Bolsonaro (PL), pai do senador Flávio Bolsonaro, então alinhado aos EUA.

Os americanos também abriram apenas uma exceção. Eles votam sempre contra o texto, mas, em 2016, quando o presidente Barack Obama visitou Havana, a delegação de Washington se absteve.

A missão de Cuba afirmou que, “com a fachada de um debate, Washington promoveu um encontro para atacar Cuba e manipular a realidade”. Os cubanos também criticaram a ausência de convite a todas as delegações, o que, segundo eles, impediu o intercâmbio de ideias “em vez de propaganda política”.

O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, ironizou as manifestações cubanas. Ele discursou no evento, que contou com ex-presos políticos do regime.

Desde o início do segundo governo Trump, a pressão econômica sobre Cuba aumentou de forma acentuada. Entre cubanos que vivem há décadas na diáspora, sobretudo na Flórida, existe a expectativa de que essa pressão leve o regime de Miguel Díaz-Canel a ceder. Parte deles também espera que Washington faça algo semelhante à captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela.