Flávio Bolsonaro promete acabar com entraves ambientais no Pará
Candidato do PL fez a promessa em Marabá, criticou Lula e não detalhou quais regras seriam alteradas em um eventual governo.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, nesta segunda-feira (19), acabar com os entraves ambientais e ampliar a regularização fundiária no Pará, caso seja eleito. A declaração foi feita durante uma motocarreata em Marabá, no interior do estado. Na ocasião, o senador também criticou a legislação ambiental e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário no segundo turno.
Flávio atribuiu parte das restrições ambientais a razões ideológicas. Apesar disso, não detalhou quais normas seriam modificadas ou revogadas em um eventual governo.
Promessa de regularização fundiária e mudanças ambientais
Aos participantes da motocarreata, o candidato afirmou que pretende fazer uma ampla regularização de terras no Pará e garantir documentação aos proprietários. Em seguida, defendeu que produtores rurais possam plantar, criar gado e explorar economicamente suas propriedades.
“Vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. Sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves ambientais que existem, principalmente por causa de razões ideológicas, nós vamos acabar”, declarou.
Vale destacar que essas atividades estão sujeitas a regras ambientais, como exigências de licenciamento, preservação de vegetação nativa e restrições ao uso de determinadas áreas. Entre as normas do tipo está o Código Florestal.
Ainda assim, o candidato não esclareceu se pretende alterar a legislação federal, flexibilizar procedimentos administrativos ou mudar a atuação dos órgãos de fiscalização ambiental. Também não explicou como o programa de regularização fundiária seria executado.
Ataques a Lula e acusação de vingança
Além das propostas para o setor rural, Flávio elevou o tom contra Lula. O senador afirmou que o presidente poderá retaliar politicamente o Pará se for reeleito e disse que o petista tem “vingança em seu DNA”.
Segundo o candidato, o adversário poderá se voltar contra a população paraense por causa do resultado da disputa pelo governo estadual. Entretanto, nas declarações divulgadas, ele não apresentou evidências de que Lula pretenda adotar medidas de retaliação contra o estado.
Resultado das urnas no Pará
O cenário eleitoral paraense mostra preferências distintas entre as disputas estadual e presidencial. No dia 4 de outubro, Dr. Daniel (Podemos), apoiado por Flávio, foi eleito governador com 51,36% dos votos válidos. Ele derrotou Hana Ghassan (MDB), candidata apoiada por Lula, que teve 46,53%.
Na corrida presidencial, por outro lado, Lula terminou o primeiro turno à frente no estado, com 49,91% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 44,5%. Portanto, a vitória do aliado na eleição estadual não se converteu automaticamente em vantagem para o candidato do PL.
Com o segundo turno marcado para o próximo domingo (25), a campanha do senador tenta ampliar a votação no Pará. O objetivo é conquistar eleitores que escolheram o governador eleito, mas votaram em Lula para a Presidência.
Governador eleito reforça apoio
Dr. Daniel participou da motocarreata em Marabá e reforçou a aliança com Flávio. De acordo com o governador eleito, se o senador vencer, os dois poderão atuar em conjunto para resolver demandas prioritárias do estado.
Segundo Dr. Daniel, o Pará “sofre porque não tem a mão amiga do governo federal”. Dessa forma, a presença dele deu à agenda um componente regional, com foco na produção rural, na propriedade da terra e na relação entre União e estado.
Meio ambiente na reta final da campanha
As falas do candidato colocam a política ambiental entre os temas da etapa final da disputa. Flávio segue uma linha de críticas às restrições ambientais também adotada pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que frequentemente questionava exigências regulatórias para atividades econômicas no campo.
Ao prometer acabar com os entraves, o senador procura se apresentar como alternativa a produtores que defendem mudanças nas regras de uso das propriedades rurais. No entanto, a falta de detalhes sobre as medidas deixa em aberto o alcance das alterações e seus possíveis efeitos sobre a fiscalização e a preservação ambiental.



