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Desmatamento na Amazônia cai 41,8% e atinge menor nível da série

Dados do Prodes, do Inpe, também apontam o menor nível histórico no Cerrado, com 5.516,69 km² desmatados no ciclo de agosto a julho.

fabricio · 3 min de leitura
Desmatamento na Amazônia cai 41,8% e atinge menor nível da série
Foto: Reprodução

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado chegou aos menores níveis das séries históricas, de acordo com o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na Amazônia, foram desmatados 3.335 km². No Cerrado, a área foi de 5.516,69 km².

As estimativas foram apresentadas pelo governo federal em evento no Palácio do Planalto, em Brasília.

Queda em relação ao ciclo anterior

Na comparação com o ciclo anterior, a área desmatada na Amazônia caiu 41,8%, de 5.731 km² para 3.335 km². Já no Cerrado, a redução foi de 23,8%, em relação aos 7.235,27 km² registrados antes.

O Prodes calcula a taxa oficial de desmatamento a partir de imagens de satélite analisadas em detalhe. O levantamento considera o período de agosto a julho e identifica a remoção completa da vegetação nativa. A série histórica da Amazônia Legal começou em 1988, e a do Cerrado, em 2001.

Quedas acumuladas e ações de fiscalização

Além disso, a redução aparece na comparação com anos anteriores. Na Amazônia, o desmatamento recuou 71,2% desde 2022, quando chegou a 11.594 km². No Cerrado, a queda foi de 48,4% em relação a 2023, ano em que a área desmatada alcançou 11.012 km².

O governo atribui parte do resultado ao reforço da fiscalização e das políticas de controle. Entre as medidas, está a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), criado em 2004. A estratégia reúne ações de diferentes ministérios e orienta iniciativas contra a derrubada ilegal.

Também são usados embargos remotos, que identificam por satélite áreas desmatadas sem autorização e restringem o uso delas e a comercialização da produção. Autuações, ações estaduais de fiscalização e critérios de crédito rural que levam em conta dados de desmatamento complementam o conjunto.

“Esses dados mostram como a política pública e o esforço contra o desmatamento funcionam”, afirmou Luciana Gatti, pesquisadora do Inpe.

Especialistas e organizações ambientais também destacaram a importância de manter as ações ao longo do tempo. Para André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o desafio é tornar o combate ao desmatamento um compromisso permanente, independente dos ciclos políticos.

Diferenças entre os biomas e os estados

No Cerrado, a redução tende a ser mais lenta. Isso ocorre porque a legislação permite a supressão de parte da vegetação em propriedades rurais, desde que haja autorização ambiental. Como essa derrubada pode ser legal, embargos e multas voltados ao desmatamento irregular não bastam para conter toda a perda. Incentivos à conservação e regras mais rigorosas para autorizações estaduais são apontados como alternativas.

Na Amazônia, o Pará liderou a área desmatada, com 1.130 km², o equivalente a 33,9% do total do bioma. Apesar disso, o estado registrou queda de 45,3% em relação ao ciclo anterior. Em seguida, aparecem Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km². Juntos, os três estados concentraram cerca de 75% do desmatamento amazônico estimado.

Por fim, os dados do Prodes não devem ser confundidos com os alertas do Deter, também do Inpe. Enquanto o Prodes calcula a taxa anual oficial com análise detalhada, o Deter emite alertas rápidos para orientar a fiscalização. Os dois sistemas podem ser consultados na plataforma TerraBrasilis, do Inpe.