Flávio Bolsonaro promete respeitar urnas e manter o Bolsa Família
Candidato do PL também defendeu o uso das Forças Armadas contra facções e voltou a negar que o 8 de Janeiro tenha sido tentativa de golpe de Estado.

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta sexta-feira (16), que respeitará o resultado das eleições. Além disso, ele prometeu manter o Bolsa Família e defendeu o uso das Forças Armadas no combate às facções criminosas. As declarações foram dadas em entrevista concedida um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também ter sido entrevistado.
Vencedor do primeiro turno, com 47% dos votos, Flávio buscou apresentar propostas voltadas ao eleitorado de centro. Ao mesmo tempo, retomou argumentos associados ao bolsonarismo, principalmente ao tratar dos acontecimentos de 8 de Janeiro de 2023 e das acusações contra integrantes de sua família.
Respeito ao resultado das urnas
Questionado sobre o reconhecimento do resultado eleitoral, o senador disse que respeitará a decisão das urnas, embora tenha demonstrado confiança na vitória. Portanto, a resposta marca uma mudança de postura. No primeiro turno, ele havia evitado assumir um compromisso explícito sobre o tema.
Bolsa Família, salário mínimo e aposentadorias
Na área econômica, o candidato sinalizou que pretende manter programas sociais e mecanismos de proteção da renda. Ele se comprometeu a preservar o Bolsa Família, defender a valorização do salário mínimo e não desvincular as aposentadorias dos reajustes previstos em lei.
Assim, as falas indicam uma tentativa de afastar preocupações sobre possíveis cortes em benefícios sociais. Do mesmo modo, buscam ampliar o diálogo com eleitores que não fazem parte da base tradicional do bolsonarismo.
O movimento ocorre em uma disputa presidencial apertada. Na quinta-feira (15), Lula também procurou dialogar com setores mais conservadores ao defender a redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos.
Por outro lado, Flávio não detalhou como pretende implementar um ajuste fiscal que, segundo estimativas divulgadas durante a entrevista, poderia chegar a R$ 200 bilhões.
Forças Armadas contra facções
Na segurança pública, uma das principais bandeiras da campanha, o candidato anunciou que pretende empregar as Forças Armadas em operações contra organizações criminosas. A proposta prevê ações conjuntas com as polícias estaduais, o que ampliaria a participação dos militares no enfrentamento às facções.
Nos trechos divulgados, no entanto, Flávio não apresentou detalhes sobre os instrumentos legais ou os limites operacionais dessa atuação.
8 de Janeiro e divergência com o STF
O senador também voltou a negar que os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de Janeiro de 2023, tenham sido uma tentativa de golpe de Estado. Na avaliação dele, os envolvidos devem ser responsabilizados pelos atos de depredação.
Essa posição contrasta com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a ocorrência de crimes contra o Estado Democrático de Direito naquele dia.
Comparações com o governo Lula e o futuro da família
Ao longo da entrevista, Flávio recorreu a comparações com o governo Lula para responder a perguntas sobre sua trajetória política e sobre acusações envolvendo seu nome.
Questionado se nomearia o ex-presidente Jair Bolsonaro para algum cargo, evitou uma resposta direta. Dirigindo-se ao telespectador, afirmou: “O meu pai vai ser você”.
Em outro momento, descartou indicar o irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, para comandar o Ministério das Relações Exteriores. “Não será chanceler”, declarou.



