Oposição da Argentina cobra Milei por fuga de Flávio Bolsonaro
Legisladores querem explicações sobre a passagem do senador por Argentina e Equador antes da chegada aos Estados Unidos.

A oposição da Argentina aumentou a pressão sobre Javier Milei nesta terça-feira (27) por causa da fuga de Flávio Bolsonaro. Os pedidos envolvem explicações sobre a passagem do senador por Argentina e Equador antes de chegar aos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na manhã desta quarta-feira (28). Antes disso, ele passou por Porto Iguaçu, no lado argentino, e por Guayaquil, no Equador, em circunstâncias ainda não esclarecidas.
Pressão no Congresso argentino
Entre as iniciativas apresentadas, há pedidos de esclarecimentos, convocações de ministros e uma denúncia penal. As medidas citam Milei, o chanceler Pablo Quirno, a ministra de Segurança Alejandra Monteoliva e Santiago Caputo.
Segundo a imprensa argentina, Caputo esteve em Porto Iguaçu para ajudar Flávio e a família. Além disso, a oposição quer detalhes sobre a entrada e a saída do senador no país vizinho.
Germán Martínez, líder do União pela Pátria, reuniu as demandas em uma carta divulgada nesta quarta. O bloco tem 92 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e lidera a oposição na Casa.
No texto, a oposição pede que o governo responda aos pedidos já feitos pelos legisladores. Também quer que o chefe de gabinete, o chanceler e a ministra de Segurança compareçam à Câmara dos Deputados.
Viagem e questionamentos
De acordo com o texto, os parlamentares querem ainda o reconhecimento da vitória de Lula. A Argentina é o único país da América Latina que ainda não fez isso.
O senador usou um passaporte italiano para entrar na Argentina às 23h52 de terça-feira. Depois, ele deixou Porto Iguaçu à 0h22 em um jato privado e seguiu para o Equador.
Em seguida, a aeronave fez escala em Guayaquil antes do pouso em Miami às 10h23. A reportagem também cita uma investigação sobre a empresa Baires Fly S.A., responsável pelo voo.
A companhia aparece em uma apuração de lavagem de dinheiro ligada a contratos públicos de insumos médicos na Argentina. Esse caso levou à queda do advogado Diego Spagnuolo, ex-diretor da Andis.
Além disso, a oposição diz que houve possível encobrimento agravado. O crime citado no Código Penal argentino trata de ajudar alguém a eludir investigações ou a escapar da ação da autoridade.
Repercussão política
Mesmo assim, aliados de Milei podem sentir novos desgastes políticos. O presidente argentino já enfrenta índices altos de rejeição, segundo análise de 11 pesquisas citada pelo Clarín.
Essa análise aponta que 57% dos argentinos desaprovam o governo Milei. O levantamento também mostra que 57,2% consideram negativa a imagem do presidente.
Myriam Bregman, dirigente do PTS, afirmou que o caso expôs contradições no discurso do governo. Segundo ela, há distância entre a defesa de políticas de segurança linha-dura e a proteção a aliados.
A deputada também pediu que o Executivo informe dados sobre a entrada, o trânsito e a saída de Flávio e da família. Além disso, ela quer detalhes sobre funcionários que souberam da viagem antes do embarque.
O pedido inclui a confirmação de que Caputo esteve no aeroporto de Porto Iguaçu. No mesmo dia, a oposição também lembrou os ataques de Milei a autoridades brasileiras no fim de julho.
Naquele momento, a atitude do presidente argentino foi reprovada por 70,5% dos argentinos, segundo pesquisa da consultoria Zuban Córdoba. Dessa forma, o caso de Flávio Bolsonaro amplia a pressão sobre o governo Milei.
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou diferentes versões de uma carta. No texto, ele questiona a vitória de Lula e se apresenta como líder do Brasil.
A fuga, feita após ordem judicial, provocou reações até entre aliados políticos. Enquanto isso, a oposição argentina tenta transformar o episódio em nova frente de desgaste para Milei.



