Netanyahu lidera eleições em Israel após apuração de 85% dos votos
Coalizão do premiê supera a oposição, mas nenhum bloco alcança maioria clara para formar governo.

Netanyahu lidera as eleições em Israel após a apuração de 85% dos votos, informou a Comissão Eleitoral do país nesta quarta-feira (28). A coalizão do premiê Binyamin Netanyahu soma 53 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto o bloco de oposição tem 48 e os partidos árabes, 19.
Os números ainda podem mudar. As pesquisas indicam, porém, que os dois principais blocos seguem tecnicamente empatados e sem maioria clara. Assim, o resultado final depende das últimas urnas e, depois, das negociações entre as legendas.
Disputa segue sem maioria
A eleição ocorreu um dia depois da votação legislativa. Os israelenses foram às urnas em massa na primeira eleição desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, e das guerras posteriores em Gaza, no Líbano e no Irã.
Segundo a Comissão Eleitoral Central, a participação chegou a 77,7%. Esse índice é o maior desde 1999. O voto não é obrigatório no país, o que dá mais peso ao comparecimento registrado nesta eleição.
As projeções de boca de urna também mostram uma disputa apertada. Segundo o Canal 12, o Likud deve ficar com 24 cadeiras, enquanto o Yashar teria 22.
Além disso, o bloco de oposição somaria 52 assentos. Os aliados de Netanyahu teriam 50, e as listas árabes, 18. Nenhum dos grupos alcançaria, sozinho, os 61 parlamentares necessários para a maioria.
Pressão para formar governo
Netanyahu afirmou que o Likud é o maior partido do país. Ele também prometeu formar um novo governo “forte de direita”. Segundo o premiê, “a maioria judaica e sionista deve se unir”.
Ele disse ainda que “é impensável ter um governo que conte com o apoio de partidos árabes”. O primeiro-ministro também afirmou que Israel “tem uma oportunidade única” de, junto a Donald Trump, “eliminar para sempre a ameaça existencial do Irã”.
Eisenkot disse que os resultados iniciais mostram falta de confiança em Netanyahu. Por isso, ele prometeu trabalhar para substituí-lo. Já o chanceler Gideon Saar, do Likud, rebateu e disse que as comemorações da oposição eram prematuras.
Yousef Jabareen, presidente da Lista Conjunta Árabe, também se manifestou. “Qualquer um que queira oferecer uma alternativa genuína e substantiva ao governo sanguinário de Netanyahu terá de falar conosco para pavimentar o caminho da mudança que o público israelense deseja”, disse.
À agência AFP, ele afirmou ainda que não vê como o partido poderia participar de uma coalizão nas circunstâncias atuais. “Mas, para derrubar” a atual gestão, “poderíamos apoiar um governo alternativo, sem fazer parte dele”, declarou.
Como funciona a escolha
Em Israel, o primeiro-ministro não é eleito diretamente. Os eleitores votam em listas partidárias, que recebem cadeiras de forma proporcional aos votos. Para isso, as legendas precisam superar a cláusula de barreira de 3,25%.
Depois da apuração, o presidente Isaac Herzog consulta os partidos. Em seguida, ele encarrega um parlamentar de tentar formar governo. Esse nome não precisa ser, necessariamente, o líder da sigla mais votada.
“Uma coisa precisa estar clara, e eu disse isso antes das eleições também: temos que fazer de tudo para evitar uma nova rodada de eleições”, afirmou Herzog nesta quarta-feira. A declaração ocorreu em meio à incerteza sobre o resultado final.
O indicado terá 28 dias, com possibilidade de prorrogação por até 14. Se fracassar, a lei prevê novas tentativas antes de uma eventual nova eleição. Também existe a chance de um governo minoritário, com apoio externo.
Até que um novo gabinete obtenha a confiança do Parlamento, Netanyahu continua no cargo. A eleição ocorre em meio a disputas sobre custo de vida, segurança nacional, alistamento de ultraortodoxos e as falhas de 7 de outubro.
Nesse ataque, o Hamas matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns em Israel. Com mais de 19 anos acumulados no poder, Netanyahu, 77, tenta permanecer no cargo com apoio de partidos religiosos e de extrema direita.
Seu principal rival, Eisenkot, tem 66 anos e comandou o Estado-Maior das Forças Armadas. Ele também integrou, como observador, o gabinete de guerra de Netanyahu, do qual saiu após criticar a condução do conflito.
Eisenkot lidera o Yashar e defende a investigação do ataque, mudanças no serviço militar e a independência do Judiciário. Além disso, rejeita a criação de um Estado palestino e propõe desmantelar a capacidade militar do Hamas.



