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Morre Irene Santos, referência da memória negra de Porto Alegre

Fotógrafa, pesquisadora e historiadora morreu aos 78 anos; velório será anunciado pelo Coletivo Almas Retintas.

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Morre Irene Santos, referência da memória negra de Porto Alegre
Foto: Reprodução

A memória negra de Porto Alegre perdeu uma de suas principais referências nesta terça-feira (27). A fotógrafa, pesquisadora e historiadora Irene de Figueiredo Santos morreu aos 78 anos. Nascida na capital gaúcha, ela dedicou a carreira ao registro de histórias, personagens e manifestações culturais da cidade.

A morte foi confirmada pelo Coletivo Almas Retintas nesta quarta-feira (28). A causa não foi informada. Irene também construiu uma trajetória marcada por livros, exposições e projetos voltados à preservação da presença negra na formação de Porto Alegre.

Obra sobre a população negra

Entre os trabalhos mais conhecidos de Irene está Negro em Preto e Branco – História Fotográfica da População Negra de Porto Alegre. O livro saiu em 2005 e reúne fotografias e relatos sobre famílias negras e suas trajetórias.

Além disso, a obra recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura em 2006, na categoria Literatura Especial. Em 2021, Irene disse que a fotografia ajudava a documentar a existência da população negra em uma sociedade marcada pelo racismo.

Ela afirmou, ainda, que as imagens combatiam a invisibilidade histórica dessas pessoas. Outra publicação importante foi Colonos e Quilombolas – Memórias das Colônias Africanas de Porto Alegre, lançada em 2010.

Carreira e reconhecimento

Irene se formou em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1971. Enquanto trabalhava em um banco, ela começou a atuar com fotografia. Depois, em 1979, deixou a instituição financeira para seguir na área e abriu seu primeiro estúdio no Centro Histórico de Porto Alegre.

A partir dos anos 1980, seu trabalho ganhou destaque na cena cultural da cidade. Ela também fotografou artistas e produziu retratos voltados à personalidade e às formas de expressão de cada profissional.

Autodidata, Irene atuou ainda em artes visuais, música e teatro. Dessa forma, construiu uma linguagem própria, unindo imagens e pesquisa histórica para registrar experiências individuais e coletivas.

Além dos livros, ela produziu o webdocumentário Outros Carnavais – Memória do Carnaval de Rua de Porto Alegre (1930-1969). Também participou de exposições, publicações e projetos ligados à cultura.

Velório e legado

A trajetória de Irene voltou a ser lembrada neste ano com a exposição A Força da Memória, realizada no Museu da UFRGS. A mostra celebrou os 20 anos de Negro em Preto e Branco e reforçou a importância do trabalho da fotógrafa.

O Coletivo Almas Retintas também planeja o projeto Sem Drama, previsto para 2027. A iniciativa pretende celebrar os 40 anos da trajetória artística de Irene e revitalizar sua produção.

Além disso, o grupo quer criar um acervo digital para preservar as obras e ampliar o acesso público ao material. A despedida de Irene Santos está prevista para quinta-feira (29).

Segundo as informações divulgadas, o local e o horário do velório serão anunciados pelo Coletivo Almas Retintas no Instagram, em @almasretintas. Com livros, fotografias e registros audiovisuais, Irene deixa um legado ligado à cultura do Rio Grande do Sul.