Bolsa registra saída de R$ 2,8 bilhões após vitória de Lula
Movimento ocorreu no primeiro pregão após o resultado e ampliou a cautela dos investidores estrangeiros com a economia brasileira.

Investidores estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da Bolsa brasileira na segunda-feira, 26, no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A bolsa após vitória de Lula já vinha registrando saída de recursos desde a véspera da votação. Na sexta-feira, 23, o saldo também ficou negativo, em R$ 2,9 bilhões.
Somados, os dois pregões tiveram retirada líquida de R$ 5,7 bilhões, segundo números da plataforma Dados de Mercado citados pela Folha de S.Paulo. O movimento ocorreu em meio à redução de posições ligadas à disputa presidencial. Além disso, investidores avaliaram os rumos da política econômica.
Apesar das saídas recentes, o saldo estrangeiro segue positivo. Conforme dados da B3 apresentados na reportagem, as entradas superam as retiradas em R$ 13,3 bilhões em outubro. No acumulado de 2026, o saldo também continua positivo, em R$ 45,4 bilhões.
Pressão antes do segundo turno
A retirada de sexta-feira foi a maior desde 11 de agosto, quando estrangeiros sacaram R$ 4,7 bilhões da Bolsa. Para Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, parte dos investidores reduziu a exposição à incerteza eleitoral. “O volume expressivo é um desmonte natural de uma parcela que prefere não ter exposição”, afirmou.
Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 22, Lula e Flávio Bolsonaro (PL) apareciam com 50% dos votos válidos cada. No segundo turno, o presidente terminou com 51,79%, enquanto o senador ficou com 48,21%.
Queda forte no pregão
A segunda-feira também marcou uma forte desvalorização dos ativos brasileiros. A Bolsa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, no maior recuo diário desde 16 de março de 2020. Durante a sessão, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas.
Além disso, o dólar teve a maior valorização diária desde 1999. Os juros futuros também avançaram mais de 250 pontos-base. O movimento reverteu parte dos ganhos das semanas anteriores, quando investidores apostavam na vitória de Flávio e em medidas mais rigorosas de ajuste fiscal.
Mercado olha a equipe econômica
No pregão posterior ao primeiro turno, estrangeiros haviam aplicado R$ 10,6 bilhões na Bolsa. Agora, a definição da equipe do próximo governo passou a concentrar a atenção dos investidores. Para Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, a espera por esses nomes pode manter as oscilações nos próximos dias.
A preocupação envolve a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas. Por isso, a percepção de maior risco fiscal pode elevar os juros cobrados pelos investidores. Isso também pode encarecer o crédito e pressionar as perspectivas de lucro das empresas.
Nesse cenário, instituições financeiras revisaram recomendações sobre ativos brasileiros. O J.P. Morgan reduziu a indicação para o real e os títulos públicos brasileiros de exposição acima da média para exposição em linha com a média do mercado. O Citi também diminuiu a recomendação de exposição a ações brasileiras. Já a BCA Research rebaixou a avaliação do Brasil em relação aos demais mercados emergentes.



