Chuvas no Rio marcam a primavera; calor deve voltar em novembro
Frentes frias, umidade e El Niño explicam a instabilidade; INMET prevê menos chuva e temperaturas acima da média no estado.

As chuvas no Rio marcaram a primavera de 2026, enquanto o calor ficou em segundo plano na cidade. Desde setembro, o Rio de Janeiro enfrenta dias nublados, chuva frequente e temperaturas mais amenas.
Segundo especialistas, a explicação envolve frentes frias, transporte de umidade e a influência do El Niño. Além disso, os dados do Sistema Alerta Rio, da Prefeitura do Rio, mostram um setembro histórico.
O mês se tornou o mais chuvoso da série histórica iniciada em 1997. Até 23 de setembro, a capital havia acumulado 171,9 milímetros de chuva, contra média mensal de 71,1 milímetros.
Naquele momento, a cidade também registrava 19 dias seguidos com chuva. Dessa forma, a sensação de uma primavera atrasada se prolongou durante outubro.
Por que o tempo ficou tão instável
O especialista em riscos climáticos Raidel Báez Prieto explica que vários sistemas atuaram ao mesmo tempo. Segundo ele, frentes frias semiestacionárias ajudaram a formar nuvens e a manter a chuva.
Além disso, o transporte de umidade nas camadas mais baixas da atmosfera reforçou a nebulosidade. Com menos radiação solar, as temperaturas tiveram dificuldade para subir ao longo do dia.
“A passagem frequente de frentes frias, algumas delas ficando semiestacionárias entre o Sudeste e o Centro-Oeste, somada ao transporte de umidade em baixos níveis da atmosfera”, disse o especialista.
De acordo com Raidel, esse conjunto manteve a cidade sob nebulosidade persistente. Assim, o aquecimento diário ficou reduzido e as pancadas de chuva apareceram com mais frequência.
A análise também acompanha a previsão da Climatempo para outubro. A empresa apontou influência de frentes frias sobre o Sudeste e possibilidade de chuva acima da média no Rio de Janeiro.
Quando o calor deve voltar
Para novembro, a previsão muda de cenário. O Instituto Nacional de Meteorologia informou, nesta quarta-feira (28/10), que o estado do Rio deve ter chuva abaixo da média.
Ao mesmo tempo, as temperaturas tendem a ficar acima do normal. No Sudeste, os desvios positivos podem chegar a 2°C em áreas do norte fluminense.
Em outras regiões, a elevação prevista pode alcançar 1,5°C em relação às médias históricas. Portanto, a tendência é de mais sol e dias mais quentes nas próximas semanas.
Raidel avalia que a primavera deve ganhar um perfil mais parecido com o esperado pelos cariocas. Ainda assim, ele lembra que pancadas de chuva e temporais isolados continuam possíveis.
Isso ocorre porque o aumento da temperatura e da umidade ainda favorece mudanças rápidas no tempo. Logo, a previsão mensal indica tendência geral, e não dias exatos de chuva ou sol.
O especialista também afirma que não dá para ligar de forma direta esse período à mudança climática. Segundo ele, ainda falta um estudo específico de atribuição para essa primavera.
Mesmo assim, o contexto global chama atenção. Dados do serviço europeu Copernicus mostram que agosto de 2026 foi o mais quente já registrado no planeta.
O mês teve temperatura média 1,65°C acima dos níveis pré-industriais. Em uma atmosfera mais quente, aumenta a capacidade de retenção de vapor d’água, o que pode favorecer chuvas intensas.
Raidel, no entanto, diz que seria precipitado afirmar que as primaveras do Rio estão ficando mais úmidas. Para isso, seriam necessários estudos de longo prazo.
O comportamento recente reforça essa variabilidade. Enquanto fevereiro de 2025 foi o mais seco da série histórica do Alerta Rio, o mesmo mês de 2026 teve o maior volume de chuva.
Para o verão, o El Niño segue no centro das atenções. No boletim de 8 de outubro, a NOAA indicou probabilidade superior a 83% de intensidade forte ou muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027.
Assim, o Rio pode entrar nos próximos meses com calor mais intenso e chance de temporais em curtos intervalos. Ainda assim, a instabilidade continua possível, principalmente quando aumentam a umidade e os sistemas típicos do verão.
Por isso, a expectativa é de mudança gradual no padrão observado nas últimas semanas. A primavera de 2026 começou com muita chuva, mas novembro deve trazer mais calor e períodos de sol.