Rock the Mountain vai compensar 2,3 mil toneladas de carbono
Festival em Itaipava amplia ações de sustentabilidade, acessibilidade e gestão de resíduos na edição de 2026.

O Rock the Mountain chega a 2026 com nova meta de sustentabilidade em Itaipava, Petrópolis. O festival pretende compensar cerca de 2,3 mil toneladas de CO₂ equivalente, além de ampliar ações ambientais e sociais. A edição acontece no Parque Municipal Prefeito Paulo Rattes, em seis dias de programação.
O evento será realizado em 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, além de 6, 7 e 8 de novembro. Na escalação, estão Jorge Ben Jor, Anitta, Ivete Sangalo, Paulinho da Viola, Leci Brandão, Barão Vermelho e o projeto Dominguinho. Entre as atrações internacionais, o festival terá M.I.A., Jorja Smith, Midnight Generation, Los Mirlos e Mind Enterprises.
Meta ambiental mais ambiciosa
No terceiro ano do ciclo de certificação ISO 20121, o Rock the Mountain quer elevar para 90% o cumprimento das ações de sustentabilidade. Além disso, a organização pretende manter 100% dos resíduos fora dos aterros sanitários. A meta inclui neutralizar todas as emissões de gases de efeito estufa.
A edição de 2025 serve como base para o plano de 2026. No ano passado, o festival reuniu 107 mil pessoas e destinou corretamente 58,7 toneladas de resíduos. Desse total, 44 toneladas seguiram para reciclagem, mais que o dobro do volume registrado em 2024.
Outros resíduos também tiveram reaproveitamento. Foram 2,9 toneladas de orgânicos transformadas em adubo, seis toneladas de madeira usadas para biomassa e 200 litros de óleo de cozinha destinados à produção de sabão. A gestão dos resíduos e efluentes evitou a emissão de 162 toneladas de CO₂ equivalente.
O festival também avançou no cumprimento de sua política ambiental. Em 2025, 83% das 78 medidas avaliadas foram executadas, o melhor resultado desde 2022. A coordenadora de Sustentabilidade, Iris Pessoa, afirmou que o evento quer mostrar resultados concretos.
“Não queremos apenas dizer que somos sustentáveis, queremos demonstrar isso com números, resultados e certificados”, disse Iris Pessoa.
Compensação com biometano
Para 2026, a Gás Verde seguirá responsável pela compensação das emissões de gases de efeito estufa. A previsão é neutralizar cerca de 2,3 mil toneladas de CO₂ equivalente, considerando os seis dias de evento e também a montagem e a desmontagem. O volume definitivo sairá após o encerramento, com base no inventário elaborado pela Boomerang Soluções Ambientais.
A compensação ocorrerá por meio de certificados de garantia de origem do biometano, os GOGas. Eles comprovam a produção do combustível renovável na unidade da empresa em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio. A parceria entre as marcas começou em 2024 e também cobriu as edições anteriores do festival.
Segundo a organização, a emissão associada ao transporte segue como principal desafio. No inventário de 2025, o festival contabilizou 2.232 toneladas de CO₂ equivalente, e 96,6% desse total vieram das viagens de público, artistas e equipes. Ainda assim, as emissões do transporte aéreo caíram de 2.309 toneladas, em 2024, para 1.416 toneladas, em 2025.
A organização também incentiva ônibus oficiais, caronas compartilhadas, garrafas reutilizáveis e separação correta de resíduos. A praça de alimentação e os bastidores dos artistas seguirão 100% vegetarianos. Além disso, 80% da cenografia usará materiais reaproveitados de edições anteriores.
Acessibilidade e comunidade
A programação de sustentabilidade inclui coleta seletiva, compostagem, hidratação gratuita, transporte compartilhado e arrecadação de alimentos pelo ingresso Meia Solidária. O óleo vegetal usado no festival será transformado em sabão e doado ao projeto Incluir Petrópolis. Já os espaços Social Hub e Eco Hub vão destacar iniciativas socioambientais da região.
Em acessibilidade, o festival terá o Zbeat, colete sensorial háptico que transforma batidas em vibrações percebidas pelo corpo. O recurso permite que pessoas surdas sintam ritmo e pulsação dos shows. Todos os espetáculos dos três palcos principais terão tradução em Libras, e os palcos Estrela e Floresta também terão audiodescrição.
A estrutura prevê espaços reservados para pessoas com deficiência, bares e banheiros adaptados, vagas limitadas para cadeirantes e cardápios com audiodescrição por QR Code. Também haverá fones de abafamento, cordões para copos e identificação de deficiências ocultas, conforme regras de acesso e credenciamento.
A Sala de Descompressão foi ampliada para atender pessoas com TEA e quem estiver em crise sensorial. O espaço terá novos recursos e profissionais de psicologia e terapia ocupacional. O festival ainda contará com posto de acolhimento para denúncias de assédio e importunação.
Entre as novidades artísticas, um troll gigante, com mais de cinco metros, será criado pelo artista dinamarquês Thomas Dambo. A escultura usará madeira reaproveitada e outros materiais reciclados e sustentáveis. Ao mesmo tempo, o Rock the Mountain mantém ações de valorização da comunidade local, com melhorias permanentes no parque e apoio a artistas da região.



