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Câmeras corporais falharam em mortes da megaoperação no Rio

HRW e Defensoria apontam que as imagens não registraram nenhuma das 117 mortes de pessoas que não eram policiais.

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Câmeras corporais falharam em mortes da megaoperação no Rio
Foto: Reprodução

A câmeras corporais Rio na megaoperação dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, completou um ano nesta quarta-feira (28) cercada por questionamentos. A Human Rights Watch e a Defensoria Pública do Estado concluíram que as gravações analisadas não registraram nenhuma das 117 mortes de pessoas que não eram policiais.

O relatório da HRW reuniu entrevistas com 41 testemunhas, familiares de vítimas e autoridades. Além disso, a organização analisou 4.400 horas de gravações, nove mil páginas de documentos oficiais, 122 laudos de autópsia, registros judiciais e centenas de vídeos e fotografias. A Defensoria também chegou à mesma conclusão após acesso às imagens.

Falhas nas gravações

Segundo a HRW, há indícios de uso excessivo da força. A entidade também aponta que policiais podem ter matado intencionalmente dezenas das vítimas. O texto ainda sugere adulteração de imagens em momentos decisivos, como prisões, tiroteios e entradas em casas de moradores.

O levantamento identificou problemas na cobertura dos equipamentos durante a ação policial. Dessa forma, momentos importantes para a apuração acabaram sem registro nas câmeras corporais. De acordo com o relatório, isso compromete a reconstituição dos fatos e dificulta a investigação das mortes.

Os dados citados pela organização mostram que apenas 23% dos cerca de 2,5 mil policiais usavam câmeras corporais. Além disso, em 36% dos momentos em que disparos apareceram nas câmeras do Bope, as lentes estavam obstruídas. Por isso, a entidade diz que a capacidade dos equipamentos ficou limitada durante a operação.

Operação Contenção

A Operação Contenção ocorreu em 28 de outubro de 2025 e terminou com 122 mortos, entre eles cinco policiais. As forças de segurança disseram que a ação buscava cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho. O principal alvo, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, não foi preso.

Moradores da Penha dizem que a rotina da comunidade pouco mudou depois da operação. Segundo relatos reunidos no local, a presença do tráfico e a falta de melhorias nos serviços públicos continuam entre as principais preocupações. Um morador afirmou que a repercussão não trouxe mudanças duradouras.

“Fizeram esse alvoroço todo pra depois, no outro dia, tá a mesma coisa. Eles tão aí. E nós tamo aqui. Sabe? Vivendo, tentando”, disse um morador.

Outro morador afirmou que, depois da ação, não surgiram iniciativas do poder público para melhorar as condições de vida na comunidade. Ele citou, principalmente, a área da educação. Assim, a operação segue como um marco de mortes, dúvidas sobre as câmeras corporais e críticas à apuração dos fatos.