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Governo Lula ignora carta de Flávio Bolsonaro e evita reação

Planalto avalia que resposta direta poderia ampliar o desgaste do senador e tirar o foco do episódio.

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Governo Lula ignora carta de Flávio Bolsonaro e evita reação
Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ignorar a carta de Flávio Bolsonaro, divulgada após a chegada do senador aos Estados Unidos. A avaliação no Palácio do Planalto é que uma reação direta poderia ampliar a repercussão do caso. Assim, o Executivo quer deixar o desgaste político com o próprio senador.

Aliados de Lula entendem que Flávio pode se prejudicar com a iniciativa. Além disso, a leitura é que a repercussão negativa pode alcançar até setores da direita. Por isso, a orientação é evitar que o presidente ou ministros assumam o centro da discussão.

Planalto quer evitar confronto direto

De acordo com a avaliação interna, o melhor caminho é permitir que partidos e parlamentares da base governista façam as críticas públicas. Dessa forma, o governo tenta não transformar o episódio em um embate direto entre o senador do PL e o Executivo.

Um auxiliar do presidente classificou a situação como “ridícula” e disse que a continuidade da atuação do senador pode reduzir seu capital político. No entanto, a ordem no entorno de Lula é não alimentar o tema com respostas oficiais.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, fez uma referência indireta ao caso nas redes sociais. Ele não citou Flávio Bolsonaro nominalmente, mas escreveu: “Esperar o quê de quem se autoproclamou dono da ilha do Richarlison?”.

“Esperar o quê de quem se autoproclamou dono da ilha do Richarlison?”, escreveu José Guimarães.

Esquerda critica aproximação com Trump

Partidos de esquerda que apoiaram Lula na eleição também reagiram ao episódio. PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT divulgaram uma nota contrária à possibilidade de interferência estrangeira no processo democrático brasileiro.

No texto, as siglas afirmaram que Flávio “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça”. Além disso, disseram que o senador buscou abrigo junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As legendas também acusaram Trump de atuar para interferir na eleição brasileira.

Os partidos disseram ainda que a contestação do resultado eleitoral não se sustenta. Como referência, citaram a trama golpista que levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”, afirmaram as siglas.

Governo mantém silêncio sobre Trump

A estratégia de não reagir diretamente a Flávio segue a postura adotada diante das declarações de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos afirmou que o processo eleitoral brasileiro “pareceu fraudado”.

Segundo a avaliação relatada, integrantes do governo Lula entenderam que a fala buscava sinalizar para setores da direita norte-americana. Ainda assim, eles não viram necessariamente uma iniciativa concreta contra o Brasil.

Um auxiliar do presidente brasileiro descreveu a declaração de Trump como “coreografada”. Na mesma linha, a leitura interna é que o norte-americano levantou suspeitas sobre a eleição brasileira, mas também disse gostar de Lula.

Questionado sobre eventual medida em relação ao processo eleitoral brasileiro, Trump afirmou que não governa o Brasil. Portanto, o governo Lula mantém a estratégia de não ampliar o embate com Flávio Bolsonaro nem responder diretamente ao presidente norte-americano.