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Três PMs são condenados por ligação com grupo criminoso no Rio

Sentença do MPRJ também prevê perda de cargos e apura comércio ilegal de armas e homicídios por encomenda.

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Três PMs são condenados por ligação com grupo criminoso no Rio
Foto: Reprodução

Três PMs foram condenados na última quarta-feira, no Rio de Janeiro, em um processo sobre um grupo criminoso apontado pelo Ministério Público. O caso envolve comércio ilegal de armas, homicídios por encomenda e a atuação de agentes de segurança, segundo a acusação.

A condenação de PMs alcançou o segundo-sargento Bruno Marques da Silva, o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas. As penas chegam a 63 anos de prisão, e a decisão também trata da perda de cargos na Polícia Militar.

O Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, obteve as condenações. Bruno, conhecido como Bruno Estilo, recebeu 63 anos de reclusão, em regime inicial fechado.

Alessander, chamado de Tenente Alessander, e Diogo, conhecido como Briggs, pegaram 27 anos de prisão cada um. A sentença manteve a prisão preventiva de Bruno e Alessander. Além disso, determinou a exclusão de Bruno e Diogo dos quadros da corporação após o trânsito em julgado.

Armas e pagamentos

Segundo o Ministério Público, as investigações reuniram mensagens, áudios, imagens e outros dados de contas ligadas aos suspeitos. Esse material, de acordo com a acusação, mostrou uma estrutura organizada e divisão de tarefas entre os integrantes.

A denúncia afirma que o grupo negociava fuzis, carregadores e munições de grosso calibre. Ainda segundo o MP, parte das armas teria sido desviada de apreensões policiais realizadas pela própria Polícia Militar.

No caso de Alessander, a eventual perda do posto e da patente será analisada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Isso ocorrerá depois que a condenação se tornar definitiva.

O Ministério Público sustenta, ainda, que Alessander fornecia armas e munições e recebia pagamentos periódicos de R$ 500. A denúncia também aponta negociações atribuídas a Diogo entre outubro e novembro de 2021.

Homicídios apurados

A acusação diz que Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como Ganso, Batata e Soares, encomendava assassinatos. Outros integrantes do grupo planejavam os ataques, monitoravam as vítimas e executavam os crimes.

Entre os homicídios atribuídos à organização estão as mortes de Neri Peres Júnior, em Realengo, e de Fábio Romualdo Mendes, em Vargem Pequena. Os dois casos ocorreram em 2021, com cinco dias de diferença.

Neri morreu em 4 de outubro, por volta das 12h50, em uma área movimentada de Realengo. Conforme a denúncia, ele foi atingido por disparos de fuzil e pistola. Os investigadores afirmam que houve pelo menos quatro tentativas anteriores de matá-lo.

Bruno Estilo, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como Papa ou 2P, aparecem na denúncia como participantes desse homicídio. Outro investigado, André Costa Bastos, o Boto, teria ajudado os executores e fornecido armamentos.

O Ministério Público afirma, ainda, que André continuava coordenando o armazenamento e a distribuição de armas e munições, mesmo preso. A acusação também diz que ele participou da logística usada pelo grupo.

Já Fábio Romualdo Mendes foi morto em 29 de setembro de 2021, quando dirigia pela Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. Segundo a acusação, o planejamento começou cerca de um mês antes.

Uma tentativa anterior de emboscada teria ocorrido em uma barbearia. Porém, a vítima não chegou a comparecer ao local naquele dia.

Defesa vai recorrer

A defesa de Bruno Marques da Silva contestou a condenação e disse que ele não foi formalmente acusado de integrar o chamado novo Escritório do Crime. O advogado criminalista Bernardo Cortez afirmou que essa imputação não consta da denúncia apresentada contra o policial.

Segundo a defesa, houve violações ao devido processo legal no uso das provas digitais. O advogado alegou que a análise dos dispositivos eletrônicos foi feita por integrantes do próprio Ministério Público, sem participação de perito oficial.

Cortez também falou em contradições e omissões na coleta e na análise do material. Por isso, a defesa informou que pretende recorrer da sentença para tentar reverter a condenação.

O caso segue com efeitos imediatos sobre a situação funcional dos condenados. Enquanto isso, a decisão também mantém o foco na apuração das ligações entre policiais militares, armas desviadas e homicídios por encomenda no Rio.