ClickRio
Últimas
Política

Advogado propõe identificar lojas de petistas em Teresópolis

Klaus Fins defendeu estrela vermelha em comércios e boicote a negócios de apoiadores do PT.

· 3 min de leitura
Advogado propõe identificar lojas de petistas em Teresópolis
Foto: Reprodução

Um advogado bolsonarista propôs identificar lojas de petistas em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Klaus Fins sugeriu que comerciantes colocassem uma estrela vermelha na entrada dos estabelecimentos. Ele também defendeu um boicote a esses negócios.

As declarações circularam em meio a uma lista que associa estabelecimentos da cidade a supostas preferências partidárias. Não há informação sobre quem produziu a relação. O MPRJ prometeu investigar o caso.

Fala sobre boicote

Fins disse que já existe um movimento para evitar compras e negócios com apoiadores do PT. “Faz o seguinte, mete uma estrela do PT na portinha da sua loja e vê o que vai acontecer”, afirmou. Além disso, ele incentivou consumidores a negociarem apenas com pessoas que considera alinhadas politicamente.

“Negocie apenas com patriotas”, declarou o advogado. Ele também acusou petistas de terem prejudicado a economia brasileira. As falas repercutiram em Teresópolis e geraram reação de entidades e do partido.

Reações na cidade

Em nota divulgada nesta terça-feira (27), a Prefeitura de Teresópolis repudiou práticas de intimidação, perseguição e boicote por motivo político. A administração municipal afirmou que divergências eleitorais não devem atingir atividades comerciais e profissionais. “As eleições passam. O respeito deve permanecer”, escreveu.

O Sincomércio Teresópolis também condenou a hostilidade contra empresários e trabalhadores. Segundo a entidade, opiniões políticas diferentes das de empregadores, colegas ou clientes precisam ser respeitadas. Dessa forma, disputas eleitorais não justificam ataques à reputação de pessoas nem ações que afetem a continuidade dos negócios.

PT fala em perseguição

O Diretório Municipal do PT em Teresópolis também reagiu. O partido repudiou a circulação de uma lista, em grupos de WhatsApp, com supostos apoiadores do presidente Lula. Segundo a legenda, o objetivo seria incentivar um boicote econômico, inclusive contra comércios da zona rural.

Em nota, o PT afirmou que comerciantes e trabalhadores não podem ser perseguidos por convicções políticas. O partido disse ainda que a história mostra os riscos desse tipo de prática. Além disso, informou que reunirá relatos e provas para encaminhar ao Ministério Público.

“O voto é secreto. A liberdade política é um direito. A democracia exige respeito às diferenças”, disse o PT de Teresópolis.

O caso também remete a práticas de perseguição usadas pelo regime nazista contra comerciantes judeus na Alemanha. Em novembro de 2022, apoiadores de Jair Bolsonaro sugeriram marcar casas e estabelecimentos com o símbolo do PT em Casca, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, uma advogada afirmou que o escritório dela foi depredado após se manifestar contra a perseguição política.

Agora, a discussão volta ao centro do debate em Teresópolis. Assim, a proposta de identificar lojas de petistas e o chamado ao boicote ampliaram a reação política e institucional na cidade.