Procuradora de Macaé é investigada após ataques nas redes
Polícia Civil abriu inquérito, e a Prefeitura encaminhou o caso para análise administrativa após as publicações.

Procuradora de Macaé virou alvo de investigação após publicações ofensivas nas redes sociais nesta terça-feira (27). A Polícia Civil abriu inquérito na 123ª Delegacia de Polícia de Macaé, no Norte Fluminense, para apurar as mensagens atribuídas à servidora. A Prefeitura também encaminhou o caso para análise administrativa.
Nas publicações, Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro fez ataques a petistas, nordestinos, mineiros e pessoas de baixa renda. Depois da repercussão, ela publicou um pedido de desculpas e reconheceu o uso de palavras ofensivas. Além disso, afirmou assumir a responsabilidade pelas manifestações.
Mensagens motivaram reação
Segundo o texto divulgado, a procuradora escreveu que não faria mais políticas públicas para eleitores do PT. Ela também aconselhou empresários e microempresários a não contratar determinados trabalhadores. Em outra mensagem, citou grupos como “artistas, pobres nordestinos e mineiros”.
As declarações provocaram manifestações de repúdio da OAB, de vereadores e do Partido dos Trabalhadores. A Prefeitura de Macaé informou que encaminhou o caso à Procuradoria-Geral do Município. Dessa forma, as medidas administrativas cabíveis passaram a ser analisadas internamente.
Por volta das 19h, Renata divulgou uma nova manifestação em suas redes sociais. Nela, pediu desculpas a nordestinos, mineiros, artistas, trabalhadores, pessoas em vulnerabilidade social e a todos que se sentiram ofendidos. Ela disse que a emoção em meio à polarização eleitoral influenciou o episódio, porém afirmou que isso não justifica as falas.
Inquérito e apuração administrativa
A investigação está sob responsabilidade do delegado titular Pedro Emílio e do delegado adjunto Felippe Gomes. Segundo a Polícia Civil, a equipe de inteligência iniciou a apuração de ofício e reuniu registros das publicações disponíveis nas redes sociais. No primeiro momento, não houve comunicação formal.
De acordo com o delegado adjunto, o caso apura possível enquadramento no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989. A norma trata de crimes resultantes de preconceito e discriminação. A apuração também considera aumento de pena para algumas condutas divulgadas em redes sociais.
O inquérito prevê coleta de provas, eventual oitiva de testemunhas e depoimento da investigada. Conforme a autoridade policial, o prazo legal é de 30 dias. Ao fim desse período, a polícia vai elaborar relatório para encaminhamento ao Ministério Público.
Defesa, críticas e providências
Após a repercussão, também voltaram a circular publicações antigas atribuídas à procuradora na rede social X. Em uma mensagem de 2025, ela teria escrito que, se pudesse, “metralhava” pessoas de esquerda. Também teria usado a expressão “morte aos esquerdistas”.
Em resposta, Renata afirmou que as mensagens recentes estavam em seu perfil privado do Facebook. Ela disse que pessoas próximas fizeram capturas de tela e divulgaram o material. Além disso, declarou que estava de cabeça quente quando escreveu as falas e que recebe ameaças de morte.
A OAB repudiou as declarações e afirmou que liberdade de expressão não autoriza discriminação. O PT de Macaé também cobrou providências e acionou o Ministério Público e a Ouvidoria-Geral do Município. Enquanto isso, a Câmara Municipal discutiu o caso, e vereadores defenderam medidas cabíveis.
A Prefeitura divulgou nota de repúdio e disse que manifestações individuais não representam os valores do município. Paralelamente à apuração criminal, o caso também passou por um Processo Administrativo Disciplinar. Assim, as duas frentes seguem separadas, enquanto as autoridades analisam os fatos.
Renata afirmou ainda que continuará exercendo suas funções com imparcialidade. A Polícia Civil, por sua vez, pretende solicitar o compartilhamento de provas produzidas no procedimento administrativo. Dessa forma, a investigação deve considerar elementos das duas esferas.



