PF investiga avião ligado a Willer Tomaz em saída de Flávio Bolsonaro
Aeronave saiu de Brasília horas antes do prazo para entrega dos passaportes, enquanto a Polícia Federal apura possível fuga

A PF investiga avião ligado ao advogado Willer Tomaz em uma possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. A apuração mira a viagem do senador aos Estados Unidos e ocorreu nesta terça-feira (27), após a decolagem de um jato de Brasília.
Segundo a investigação, a aeronave saiu às 5h05 e pousou em San Fernando, na Argentina, às 8h40, pelo horário de Brasília. O voo ocorreu poucas horas antes do prazo para Flávio Bolsonaro entregar os passaportes à Polícia Federal.
Jato saiu de hangar ligado ao advogado
O avião é um Cessna 560XL Citation Excel, de prefixo PR-AAA. Ele pertence a uma empresa controlada por Willer Tomaz e saiu de um hangar da Jet Lines, no Aeroporto de Brasília.
Na segunda-feira (26), depois de ser intimado, o senador afirmou que cumpriria a ordem judicial. Ele também disse que não pretendia deixar o país. A PF investiga a hipótese de que o jato tenha sido usado na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
A apreensão dos passaportes foi determinada por Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O ministro atendeu a um pedido da Polícia Federal e citou risco concreto de fuga.
Outra aeronave entrou no radar
Durante a terça-feira, os investigadores também monitoraram um Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW. A aeronave ficou parada em Puerto Iguazú, na Argentina, cidade próxima à fronteira brasileira.
De acordo com as informações iniciais, esse segundo avião teria sido preparado para uma possível fuga. Um plano de voo para Miami chegou a ser elaborado, porém acabou descartado.
Até agora, a PF trabalha apenas com a hipótese de saída pela Argentina. Os investigadores, por enquanto, não consideram outras rotas alternativas.
Vistos para Flávio Bolsonaro
Na tarde de terça-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que o governo de Donald Trump concederá vistos a Flávio Bolsonaro e aos integrantes da família. A informação chegou à TV Globo.
Willer Tomaz também está nos Estados Unidos. Conforme a Polícia Federal, ele entrou no país em 25 de agosto, sem registro de saída.
A PF também cita a saída do advogado para os Estados Unidos e o poderio econômico atribuído a ele e a Flávio Bolsonaro. Esses dados fazem parte da apuração sobre o risco de evasão.
Inquérito sobre bets
O inquérito contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz começou em outra investigação, no Rio Grande do Sul. O caso apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de apostas on-line, conhecidas como bets.
Os investigadores suspeitavam que Willer controlava a Rede Loto, autorizada pela Loterj desde 2023. No mesmo período, outra empresa dele, a Rio Pag, venceu uma licitação para operar pagamentos da autarquia fluminense.
Depois da quebra do sigilo, a PF identificou indícios de relações financeiras entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Como o senador tem mandato pelo Rio de Janeiro, o caso seguiu para o Supremo Tribunal Federal.
Separadamente, o STF apura outro caso. A investigação trata da suspeita de que Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, tenha destinado R$ 61 milhões ao filme Dark Horse.
Esse inquérito tem relatoria do ministro André Mendonça. Segundo a apuração, o dinheiro teria passado por um operador de Vorcaro e seguido para um fundo administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março de 2025. A investigação do filme tramita separadamente do inquérito que envolve Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.



