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Willer Tomaz pede ampliação de obras em ilhas de Angra dos Reis

Pedidos ocorreram no mesmo dia em que Cláudio Castro revogou decreto sobre áreas protegidas do Rio.

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Willer Tomaz pede ampliação de obras em ilhas de Angra dos Reis
Foto: Reprodução

No mesmo dia em que Cláudio Castro revogou planos de manejo de áreas protegidas do Rio, empresas ligadas ao advogado e empresário Willer Tomaz pediram ampliação de construções em duas ilhas de Angra dos Reis. A obras em Angra dos Reis envolveu a Ilha Comprida e a Ilha José André. Nenhuma das ampliações recebeu autorização.

As solicitações foram apresentadas em 20 de março, data da publicação do decreto do então governador. Segundo a informação divulgada, a medida atingiu também a Área de Proteção Ambiental de Tamoios. Essa unidade protege ilhas, florestas, manguezais e costões rochosos da baía da Ilha Grande.

Pedido na Ilha Comprida

Na Ilha Comprida, a empresa ligada a Tomaz pediu ao Instituto Estadual do Ambiente, o Inea, para elevar a taxa de ocupação de 15% para 30%. O pedido citava o decreto recém-publicado. Além disso, previa uma residência com mais de 700 metros quadrados, mais cais e academia, em um terreno de 43 mil metros quadrados.

O então presidente do Inea, Renato Bussiere, encaminhou o processo em despacho assinado depois da meia-noite. Enquanto isso, o outro pedido avançava sobre a Ilha José André, também dentro da APA de Tamoios.

Projeto em área protegida

No caso da Ilha José André, o projeto previa quartos, piscinas, beach club, spa, academia, restaurante, espaço para eventos, hangar e heliponto. Portanto, o empreendimento ficaria em área protegida pela APA de Tamoios. O texto não informa autorização para a obra.

A disputa pela Ilha Comprida também envolve o jogador Richarlison. Ele afirma ter comprado a mansão no local em outubro de 2020 e investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição e na reforma.

Segundo o jogador, uma manobra jurídica depois transferiu o patrimônio para uma empresa ligada a Tomaz. Além disso, Richarlison relacionou o conflito a uma visita de Flávio Bolsonaro à ilha. De acordo com o relato dele, o senador tentou comprar a mansão e, após a recusa, teria se aliado ao advogado.

Versões sobre a disputa

Tomaz contesta essa versão. Ele afirma que Richarlison negociou com alguém que apenas ocupava a área. Ainda segundo o advogado, ele adquiriu a propriedade da empresa titular, com escritura e registro.

“Dono de verdade, Richarlison, tem escritura, tem registro em cartório, tem o nome na SPU. Isso você não mostrou por quê? Porque você não tem”, declarou o advogado.

Castro negou favorecimento. Ele afirmou que não discutiu previamente o decreto com Tomaz ou com pessoas ligadas às empresas. Também disse que não recebeu pedidos do advogado para editar a medida.

De acordo com Castro, a mudança teve caráter geral e técnico. Dessa forma, ele sustentou que o decreto não beneficiou imóvel ou empreendimento específico. Bussiere também afirmou que encaminhar processos às unidades responsáveis é um procedimento administrativo comum.

O ex-presidente do Inea disse ainda que isso não representa concordância com as solicitações. Além disso, afirmou que não autorizou mudanças no zoneamento, nos índices de ocupação ou a execução de obras. Sobre o horário do despacho, declarou que atos fora do expediente eram habituais.

Castro e Bussiere são investigados pela Polícia Federal em um inquérito sobre suspeitas de uso de órgãos públicos para atender a interesses privados. A existência da investigação, porém, não comprova as suspeitas. Procurado sobre os pedidos ao Inea, Tomaz informou que não se manifestaria.