Jatinho de Flávio Bolsonaro pertence a empresa investigada na Argentina
Aeronave usada na viagem aos EUA liga empresário a apurações por corrupção e lavagem de dinheiro no governo Milei.

O jatinho de Flávio Bolsonaro, usado para deixar a Argentina rumo aos Estados Unidos, pertence a uma empresa ligada a um empresário investigado no país. A aeronave levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família após a passagem por Puerto Iguazú, na terça-feira (27).
O avião é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela Baires Fly. A empresa está associada a Sergio Daniel Mastropietro, citado em apurações sobre supostos desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
Mastropietro aparece em investigações sobre um esquema envolvendo a Agência Nacional de Deficiência, a Andis, do governo argentino. Segundo as apurações, as irregularidades somariam mais de 7,8 bilhões de pesos argentinos, cerca de R$ 27 milhões.
Além disso, o caso ganhou peso político na Argentina por alcançar nomes do entorno de Javier Milei. Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, também foi citada em acusações de cobrança de propina de farmacêuticas.
Investigação sobre o empresário
De acordo com informações divulgadas pela imprensa argentina, Mastropietro teria participado de operações para dar aparência legal a valores desviados. Os investigadores apuram o uso de empresas da aviação executiva nessas movimentações.
As apurações identificaram transferências superiores a 95 milhões de pesos argentinos para contas da Baires Fly. Portanto, os investigadores querem saber se contratos de serviços aéreos esconderam dinheiro de origem ilícita.
O empresário também mantém ligações com o entorno do ex-presidente Mauricio Macri, que governou a Argentina entre 2015 e 2019. Mastropietro presidiu a Avian Líneas Aéreas, criada após a venda da Macair Jet ao grupo Avianca, em 2016.
Ele ainda aparece em outras investigações sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Entre elas, há referências a relações comerciais com Fred Machado, investigado por tráfico de drogas.
Monitoramento da PF
Enquanto isso, a Polícia Federal monitorou o Gulfstream G400 no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, na terça-feira (27). Os investigadores tinham informação sobre a possibilidade de Flávio cruzar a fronteira por Foz do Iguaçu.
No entanto, como o avião estava em território argentino, a PF não tinha competência para impedir a decolagem. Assim, a aeronave seguiu para Guayaquil, no Equador, antes de viajar para Miami, na Flórida.
Flávio Bolsonaro e três familiares desembarcaram em Miami na manhã desta quarta-feira (28). Até o momento, não há informações que indiquem envolvimento do senador nas irregularidades apuradas na Argentina.
Ordem do STF
A viagem ocorreu depois que Flávio Bolsonaro deixou de cumprir uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar os passaportes à Polícia Federal. A determinação saiu após a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial de domingo (25).
Ao analisar o pedido da PF, Moraes apontou risco concreto de fuga. O requerimento policial havia sido apresentado na noite da eleição, pouco depois da confirmação da vitória de Lula.
Além disso, seguem sem esclarecimento público os responsáveis pelo pagamento da viagem. Também não foram detalhadas as condições de contratação do voo.



