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Catacumbas históricas no Centro do Rio terão missa após 70 anos

Celebração de Finados acontecerá em 2 de novembro, na Capela da Ressurreição, no Morro de Santo Antônio.

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Catacumbas históricas no Centro do Rio terão missa após 70 anos
Foto: Reprodução

As catacumbas históricas da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Centro do Rio, voltarão a receber fiéis no Dia de Finados. Segundo a organização, o espaço não recebe cerimônia religiosa há mais de 70 anos. A celebração acontece em 2 de novembro, às 11h, na Capela da Ressurreição, com acesso pelo Largo da Carioca, nº 5.

O conjunto funerário fica no Morro de Santo Antônio, atrás da Igreja de São Francisco da Penitência, conhecida como Igreja de Ouro. Assim, a missa marca a retomada de uma prática religiosa em um espaço pouco conhecido até mesmo por cariocas. A capela também é chamada de Capela das Exéquias.

Celebração no Dia de Finados

A missa será presidida pelo padre Vitor Pimentel Pereira. Ele é conhecido pelas missas em latim que celebra aos sábados na Igreja da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores. Além disso, um coral a três vozes acompanhará a liturgia.

O ambiente religioso fica em área de grande circulação, perto do Largo da Carioca. Entretanto, o interior do conjunto preserva características históricas pouco visíveis para quem passa pelo local. O espaço reúne galerias, sepulturas numeradas e um pátio a céu aberto com lajes de pedra.

Como é o conjunto funerário

O acesso à capela revela detalhes do conjunto arquitetônico. No portão, quatro medalhões dourados trazem caveiras sobre ossos cruzados e ampulhetas aladas. Conforme a descrição do museu, esses símbolos lembram a finitude humana e a passagem do tempo.

No interior, a luz natural entra pelo lanternim e destaca ornamentos do teto e das paredes. Ao fundo, uma grande cruz aparece sobre a Pietà, imagem de Nossa Senhora com o corpo de Jesus Cristo nos braços. Dessa forma, a capela reúne elementos ligados à morte e à esperança cristã.

Retomada e visitação

A celebração integra uma nova fase da Ordem, sob administração do advogado Matheus Miranda de Sá Campelo desde julho deste ano. Segundo a instituição, a iluminação externa do conjunto arquitetônico foi refeita com apoio da RioLuz. Além disso, a revitalização do Museu Sacro Franciscano segue em andamento.

De acordo com a administração, o museu também passou a abrir aos sábados. Ainda segundo a instituição, o número de visitantes mais do que quadruplicou desde o início da nova gestão. O espaço também ganhou visibilidade no Instagram, com fotos de visitantes.

A história das catacumbas começou há mais de dois séculos. Conforme o relato reproduzido pelo museu, as obras começaram em 1814, no período joanino, mas sofreram embargo depois de oposição dos religiosos do convento. O impedimento teria sido levantado em 1824, por ordem de D. Pedro I.

O documento registra conclusão em 1827, com redução do projeto original, e ampliações posteriores. Em 1840, houve aumento dos carneiros para receber sepulturas transferidas da igreja. Assim, o conjunto funerário foi construído e adaptado ao longo das primeiras décadas do século XIX.

Também há referência ao espaço em pesquisa universitária recente. Na dissertação apresentada em 2024 ao programa de Museologia e Patrimônio da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Anne Teixeira Barcellos localiza o espaço depois do Jardim de Santa Clara, nos fundos da Igreja da Penitência.

No dia 2 de novembro, a missa deve recolocar as catacumbas históricas no roteiro religioso do Centro do Rio. Entre galerias, sepulturas e símbolos funerários, a celebração reunirá fiéis para oração pelos mortos e pela memória da Ordem.