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Europa alivia com vitória de Lula após pressão de Trump

Líderes europeus falaram em democracia, multilateralismo e clima depois da eleição brasileira.

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Europa alivia com vitória de Lula após pressão de Trump
Foto: Reprodução

A vitória de Lula repercutiu nesta segunda-feira, 26, entre líderes europeus, em meio à pressão política de Donald Trump. Em mensagens públicas, autoridades da Europa falaram em democracia, multilateralismo e clima. A leitura ganhou força em Berlim, onde a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comentou o resultado brasileiro.

Von der Leyen escreveu que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”. Ela publicou a mensagem com uma foto de encontro com o presidente brasileiro, em janeiro, no Rio de Janeiro. Na ocasião, os dois se reuniram às vésperas da assinatura do acordo União Europeia-Mercosul.

Clima e comércio na agenda europeia

A dirigente europeia também citou uma “ordem global baseada em regras”. O tema aparece com frequência em suas declarações. Em setembro, ela já havia defendido o “sistema baseado em regras” em discurso ao Parlamento Europeu.

Segundo Von der Leyen, esse sistema enfrentava uma “fratura exposta” naquele momento. A referência se conectava, de forma indireta, à política tarifária agressiva de Trump. No mesmo discurso, ela ainda convidou o Canadá a se tornar membro associado da União Europeia.

Lula também passou a representar uma estratégia europeia de aproximação com a América do Sul. Bruxelas avançou em direção ao Mercosul depois de duas décadas de negociações sem resultado. Além disso, o presidente brasileiro ajudou a consolidar a assinatura do acordo, apesar da oposição de França, Polônia, Irlanda e outros países com forte agricultura.

Repercussão em vários países

As mensagens não vieram apenas de Bruxelas. O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, também falou em “fortes ambições por nosso clima”. A Holanda, aliás, anunciou nesta segunda-feira a intenção de investir US$ 500 milhões no TFFF, fundo de florestas lançado por Lula na Assembleia Geral da ONU, no ano passado.

Entre europeus, a defesa da democracia também apareceu nas felicitações. O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, mencionou a “maior democracia da América Latina”. Já o espanhol Pedro Sánchez foi mais direto e falou em retorno do progressismo global.

“O que aconteceu no Brasil vai acontecer na Espanha”, disse Sánchez. Ele citou ainda eleições parlamentares diante das manifestações por habitação que surgiram no país. “O retorno do progressismo global está apenas começando”, afirmou.

Em entrevista ao site Politico, Jorge Martín Frías, eurodeputado do Vox, disse que as circunstâncias do Brasil e da Espanha eram diferentes. Mesmo assim, ele afirmou que o partido de ultradireita busca inspiração em Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também comentou a vitória de Lula. Ele falou dos “desafios do nosso tempo” e disse que os dois países vão fortalecer a parceria estratégica. Macron acrescentou que quer dar vida à amizade entre Brasil e França “em prol de um mundo mais justo”.

A reação europeia reforça a imagem internacional de Lula, em um cenário geopolítico dividido. Porém, a avaliação externa não elimina os desafios no cenário doméstico. Entre eles, está um Congresso hostil, onde o debate sobre multilateralismo perde espaço.

Para entender o contexto do acordo União Europeia-Mercosul, veja também conteúdos sobre relações entre Brasil e Europa.