Lula mira Rafael Fonteles para a Fazenda e avalia mudança no PI
Governador reeleito pode deixar o Piauí para integrar a equipe econômica, enquanto outras opções seguem na disputa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia o governador do Piauí, Rafael Fonteles, para o Ministério da Fazenda. A movimentação pode alterar o cenário político piauiense, já que o petista reeleito no primeiro turno pode deixar o cargo. A Rafael Fonteles ganhou força nas conversas sobre o quarto governo de Lula.
Segundo informações publicadas nesta segunda-feira (26), Lula sinalizou a aliados que quer Fonteles em sua equipe. O presidente vê no governador experiência técnica, articulação política e força eleitoral. Além disso, Fonteles teria indicado disposição para aceitar o convite, caso a proposta avance.
Governador pode renunciar ao mandato
Se assumir a Fazenda, Rafael Fonteles precisará abrir mão do segundo mandato no governo do Piauí. A decisão, porém, ainda não está fechada. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também aparece entre os nomes avaliados, e uma escolha ligada ao mercado financeiro não está descartada.
Fonteles já teria sinalizado a pessoas próximas ao presidente que aceitaria a missão. Aliados o descrevem como um gestor pragmático, focado e disposto a enfrentar novos desafios. Dessa forma, a eventual ida para Brasília pode ocorrer com menos resistência política interna.
A composição da chapa estadual também pesou nesse cenário. Durante a campanha, Fonteles trocou o candidato a vice e escolheu Washington Bandeira, então secretário de Educação. A mudança gerou divergências com dirigentes locais do PT, mas a indicação foi mantida.
Com Bandeira eleito vice, aliados avaliam que o governador teria mais tranquilidade para deixar o Executivo estadual, caso receba o convite de Lula. Portanto, a transição no Piauí pode ocorrer logo após a reeleição.
Trajetória de Fonteles ganhou projeção
Rafael Fonteles passou a ter mais visibilidade nacional em 2022, quando venceu a disputa pelo governo do Piauí. Naquele período, ele chegou a ser chamado de “Tarcísio da esquerda”, em referência a Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo com apoio de Jair Bolsonaro (PL).
A comparação surgiu porque os dois eram vistos como nomes de renovação em seus campos políticos. Além disso, ambos passaram a ser citados como possíveis protagonistas de disputas nacionais futuras.
Antes do governo estadual, Fonteles comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí na gestão de Wellington Dias. Ele também presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, o Comsefaz, entre 2019 e 2021. Ou seja, sua experiência na área fiscal virou um dos principais argumentos para a possível indicação.
Fonteles também se aproximou de Lula durante a campanha presidencial de 2026. No segundo turno, ele participou da coordenação política e ajudou na preparação para os debates, ao lado do senador Camilo Santana (PT-CE) e do ministro Sidônio Palmeira.
Outros nomes seguem no páreo
Apesar do avanço do nome de Fonteles, Lula ainda mantém outras opções para a Fazenda. Entre elas está Geraldo Alckmin, que comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no terceiro mandato do petista.
De acordo com a informação publicada, auxiliares de Lula consultaram representantes do mercado financeiro sobre Alckmin. A recepção, no entanto, não teria sido especialmente favorável. Um executivo ouvido na apuração afirmou não ver resistência significativa a Fonteles, embora parte dos investidores prefira Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Também aparecem nas especulações Camilo Santana e o senador Renan Filho (MDB-AL), ambos com passagem pelo governo Lula. Por outro lado, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, deve seguir no cargo, segundo a avaliação de aliados do presidente.
A definição sobre a Fazenda será uma das decisões mais importantes do início do quarto mandato de Lula. Assim, a escolha pode impactar a política fiscal, a relação com o mercado financeiro e a articulação com o Congresso.
No caso de Rafael Fonteles, a eventual nomeação também mudaria o comando político do Piauí. Dessa forma, Washington Bandeira assumiria o governo estadual logo após a reeleição de Fonteles.



