Vídeo mostra agressão em praça de Moju, no Pará
PT diz que caso pode ter motivação política; policial nega homofobia e afirma que houve provocação por causa da roupa.

Um vídeo de agressão em praça circulou nas redes sociais e mostrou um homem agredindo um jovem em Moju, no nordeste do Pará, na noite de quinta-feira (22). A cena ocorreu na Praça do Estudante e provocou reação de dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), que pedem investigação. O caso também envolve a suspeita de que o agressor seria o policial militar Givanildo Santos, conhecido como “Gibão”.
Nas imagens, o homem aparece com uma camisa de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e com um objeto escuro preso à cintura. Segundo relatos divulgados na internet, ele estaria à paisana durante a confusão. O PT afirma que o jovem agredido fazia uma transmissão ao vivo em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Imagens mostram tapas e socos
O vídeo mostra o homem subindo em uma estrutura de brinquedo instalada na praça. Em seguida, ele segura o jovem pelo pescoço e pelas roupas, enquanto desfere golpes. Pessoas que acompanham a cena gritam para que tudo seja registrado.
“Grava! Grava!”, diz uma das vozes no local. Uma mulher também tenta interromper a agressão e grita: “Não bate nele, seu doido! Não bate nele!”. Outras pessoas pedem para o jovem ser solto e cobram o fim da confusão.
As imagens foram divulgadas por perfis locais e passaram a ser compartilhadas em diferentes publicações. Além disso, relatos publicados nas redes sociais levantaram a possibilidade de motivação política e homofóbica. Essa hipótese, no entanto, não foi confirmada por investigação oficial nas informações disponíveis.
PT leva o caso ao Ministério Público
O PT de Moju e o diretório estadual do partido divulgaram nota conjunta de repúdio. No texto, a legenda identifica o suspeito como Givanildo Santos e afirma que vai representar ao Ministério Público. O partido pede apuração das circunstâncias e eventual responsabilização.
A nota também cobra investigação sobre o possível uso de arma de fogo durante a ocorrência. Conforme o documento, a sigla quer esclarecimento sobre a motivação da agressão e respeito ao devido processo legal. Ainda assim, o partido afirma que nenhuma divergência política justifica violência.
O caso ganhou repercussão porque a camisa usada pelo homem trazia a inscrição “MOJU – FLÁVIO BOLSONARO 22”. Porém, essa informação não permite, por si só, definir a motivação da agressão. O texto divulgado pelo partido aponta, inclusive, que o jovem realizava manifestação política no momento do episódio.
Depois da repercussão, Givanildo Santos publicou um vídeo para apresentar sua versão. O agente negou homofobia, mas admitiu que houve desentendimento por causa de divergências políticas. Segundo ele, estava na praça com a filha de oito anos e a neta de um ano e meio.
Givanildo afirmou ainda que adolescentes o provocaram por causa da camisa associada ao bolsonarismo. Ele disse também que as imagens não mostram todo o contexto da confusão. Além disso, declarou que já votou em Lula e que sua roupa não justificaria as supostas provocações.



