TSE cobra Meta sobre 160 milhões de views de Nikolas Ferreira
Ministro deu 12 horas para a empresa explicar a distribuição do vídeo no Instagram e fixou multa de R$ 100 mil por hora.

O vídeo de Nikolas Ferreira que passou de 160 milhões de visualizações no Instagram levou o TSE a cobrar explicações da Meta. A ordem, dada nesta quinta-feira (22), dá 12 horas para a empresa detalhar a distribuição do conteúdo.
A determinação prevê multa de R$ 100 mil por hora de atraso. Segundo o tribunal, a medida busca esclarecer se houve amplificação algorítmica da publicação.
Decisão do TSE
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, proferiu a decisão após representação da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe do petista questiona se mecanismos de recomendação da plataforma favoreceram a circulação do vídeo.
O conteúdo chegou ao tribunal na reta final do segundo turno das eleições presidenciais. O pleito está marcado para domingo (25), quando Lula enfrenta Flávio Bolsonaro (PL).
O reel se chama “O Nordeste que foi esquecido” e foi publicado por Nikolas Ferreira na terça-feira (20). Além disso, o vídeo reúne depoimentos de moradores do Nordeste com críticas ao governo federal e apoio ao candidato do PL.
De acordo com os números apresentados na ação, o crescimento da publicação ocorreu em ritmo acelerado. A representação de Lula usa esse avanço como um dos motivos para pedir esclarecimentos técnicos.
O TSE quer saber como a plataforma distribuiu o conteúdo e se houve tratamento diferente para a publicação.
Prazo e multa
A decisão exige que a Meta informe dados relacionados à possível amplificação algorítmica. Porém, o tribunal ainda não concluiu que houve manipulação ou irregularidade.
O ministro fixou prazo de 12 horas para o envio das informações. Caso a empresa atrase, a multa será de R$ 100 mil por hora.
A medida saiu no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, usada para apurar condutas que possam afetar a igualdade entre candidaturas. Assim, a apuração tenta verificar se o alcance do vídeo dependeu só da reação dos usuários.
O caso também reforça o debate sobre a transparência das plataformas digitais na eleição. Afinal, conteúdos políticos podem alcançar milhões de pessoas em pouco tempo.
Outra cobrança à Meta
A decisão sobre Nikolas Ferreira não foi a única contra a empresa nesta quinta-feira (22). No mesmo dia, o ministro Kassio Nunes Marques também determinou que a Meta prestasse esclarecimentos em 24 horas.
Nesse caso, a ordem trata de conteúdos ligados ao chamado “Exército do Lula”, iniciativa de mobilização digital associada ao deputado federal André Janones (Avante-MG). Portanto, as duas decisões envolvem situações diferentes, mas colocam a atuação das plataformas sob análise judicial.
As cobranças ocorrem quando as campanhas presidenciais ampliam o uso das redes sociais. Dessa forma, o TSE passa a examinar com mais atenção a circulação de conteúdos políticos no ambiente digital.



