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Abstenção no RJ: jovens de 21 a 24 anos lideram ausências

Levantamento aponta quase 3 milhões de faltas no primeiro turno e mostra maior taxa entre os eleitores obrigados a votar.

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Abstenção no RJ: jovens de 21 a 24 anos lideram ausências
Foto: Reprodução

Quase três milhões de eleitores faltaram ao primeiro turno no Rio de Janeiro. A abstenção no RJ chegou a 23,32% do eleitorado fluminense, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (22). Entre os eleitores obrigados a votar, a faixa de 21 a 24 anos teve a maior taxa de ausência.

O estudo usa dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mostra diferenças entre gerações, municípios e regiões da capital. O segundo turno presidencial está marcado para domingo (25), e o cenário mantém o tema da participação eleitoral em destaque.

Jovens concentram maior ausência

No estado, 2.997.846 eleitores não compareceram à votação de 4 de outubro. A taxa fluminense ficou acima da média nacional, que alcançou 21,08%, considerando também os brasileiros no exterior.

Entre os eleitores com voto obrigatório, a faixa de 21 a 24 anos registrou 23,42% de abstenção. Já os jovens de 18 anos tiveram a menor taxa, com 10,68%.

Entre os idosos, os índices cresceram conforme a idade avançou. A abstenção chegou a 34,4% entre pessoas de 70 a 74 anos. Além disso, o percentual foi de 52,7% na faixa de 75 a 79 anos.

Na sequência, eleitores de 80 a 89 anos registraram 74% de ausência. Já entre 90 e 99 anos, a taxa chegou a 94,9%.

A professora de Ciência Política da UFRJ Mayra Goulart relacionou parte desses números ao envelhecimento da população. Segundo ela, os extremos etários tendem a registrar mais faltas, sobretudo quando o voto deixa de ser obrigatório.

“O Rio de Janeiro, capital, tem uma população envelhecida, então a gente tem que ver um pouco essas contas da pirâmide etária”, disse.

Capital tem concentração de faltas

Na cidade do Rio, 1.293.714 eleitores não foram às urnas. O número equivale a 26,12% dos aptos a votar. Assim, mais de um em cada quatro eleitores da capital deixou de participar do primeiro turno.

O levantamento apontou cinco dos dez locais de votação com menor comparecimento no Centro do Rio. No Colégio Pedro II, a abstenção chegou a 46%.

Além disso, outros três locais entre os dez com maior ausência ficam em Copacabana, na Zona Sul. Dois deles estão em Inhaúma, na Zona Norte.

Mayra Goulart afirmou que a falta às urnas não deve ser lida apenas como desinteresse político. Segundo ela, também pesam problemas de cadastro e dificuldades de deslocamento.

“A abstenção junta muitos fatores diferentes, não só o eleitor pouco mobilizado, desinteressado, porque a eleição tem muita briga, está muito polarizada, mas também problemas de cadastro”, afirmou.

Ela acrescentou que algumas regiões dificultam o acesso aos locais de votação. “Tem muitas pessoas que têm dificuldade de chegar até o local onde elas exercem seu voto”, disse.

Municípios e próximos passos

Entre os 92 municípios fluminenses, Mangaratiba teve a maior abstenção. A cidade da Costa Verde registrou 26,71% de ausentes.

Valença apareceu logo depois, com 26,22%. A cidade do Rio veio em seguida, com 26,12%, e teve peso relevante no resultado estadual.

Embora a capital reúna cerca de 38,5% do eleitorado fluminense, respondeu por 43,2% de todas as abstenções no estado.

O histórico eleitoral mostra que a ausência costuma crescer no segundo turno. Em 2002, a taxa foi de 16,95%. Depois, chegou a 17,35% em 2006 e a 21,03% em 2010.

Nos anos seguintes, o índice passou a 22,36% em 2014 e a 24,06% em 2018. Em 2022, houve redução para 22,25%.

Quem faltou no primeiro turno ainda pode votar no domingo. Para isso, o título deve estar regular, sem cancelamento ou suspensão. O prazo para justificar a ausência termina em 3 de dezembro.

O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, orientou os eleitores a confirmar o local de votação antes de sair de casa. A consulta pode ser feita no aplicativo e-Título ou no site do tribunal.

Para quem tem voto obrigatório, três ausências seguidas, sem justificativa ou pagamento das multas, podem levar ao cancelamento do título.