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André Mendonça define que TSE não divulgará sigilos de Lula e Flávio

Ministro disse que a decisão sobre abrir dados bancários, fiscais e telefônicos cabe aos próprios candidatos.

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André Mendonça define que TSE não divulgará sigilos de Lula e Flávio
Foto: Reprodução

A disputa sobre os sigilos de Lula e Flávio ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu que a Justiça Eleitoral não deve divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas dos dois candidatos.

Segundo o magistrado, cada um pode tornar públicos os próprios dados por meios independentes. Assim, o TSE não precisa usar sua estrutura para publicar documentos apresentados pelas campanhas.

Decisão sobre a divulgação

O entendimento veio depois de petições enviadas pelas campanhas ao tribunal. Os pedidos indicavam disposição para abrir informações protegidas por sigilo, desde que o adversário adotasse a mesma medida.

O impasse envolvia também a forma de publicação e a inclusão de familiares e empresas. Mendonça afirmou que a escolha sobre o conteúdo a ser divulgado cabe aos próprios titulares das informações.

“No caso, não cabe à Justiça Eleitoral definir o que cada candidato quer ou não divulgar. O que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor”, disse o ministro.

Dessa forma, a decisão afasta a possibilidade de transformar a Justiça Eleitoral na responsável pela publicação dos documentos. O ministro também indicou que não cabe ao tribunal selecionar, organizar ou divulgar os dados.

Pedidos de Lula e Flávio

Entre terça-feira (20) e quinta-feira (22), Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram petições ao TSE. Os dois manifestaram disposição para divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas, além de dados sobre familiares e empresas.

No caso de Lula, o pedido abrangia os últimos oito anos. A solicitação incluía dados da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e de seus filhos.

A proposta previa a divulgação simultânea pelo sistema DivulgaCandContas ou por outro endereço eletrônico de acesso público. No entanto, isso dependeria da apresentação de informações equivalentes por Flávio Bolsonaro.

O pedido também mencionava dados do senador e de familiares, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na quinta-feira, integrantes da coordenação da campanha petista foram ao TSE para formalizar a concordância com as condições apresentadas pelo adversário.

Condições e impasse

A campanha de Flávio Bolsonaro também disse que aceitaria abrir os sigilos solicitados por Lula. Porém, a entrega ficou condicionada à verificação prévia dos documentos que seriam apresentados pelo presidente.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, representante do senador, afirmou nesta quinta-feira que a equipe jurídica estava preparada para fornecer as informações exigidas. Isso ocorreria desde que houvesse cumprimento integral do compromisso assumido pela campanha petista.

O embate começou durante um debate presidencial no domingo (18). Na ocasião, Lula desafiou Flávio a autorizar a abertura dos sigilos dos dois candidatos e de familiares.

Desde então, as campanhas trocaram exigências sobre o alcance das autorizações. Além disso, passaram a discutir a inclusão de informações relacionadas a terceiros.

Com a decisão de André Mendonça, a responsabilidade pela divulgação dos dados fica com as campanhas. Portanto, a Justiça Eleitoral não assumirá a tarefa de publicar os documentos.

A poucos dias da eleição, ainda não está definido se os candidatos vão divulgar efetivamente as informações prometidas. O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para domingo (25).