Zelensky acusa Trump de pressionar Ucrânia a se render à Rússia
Presidente ucraniano critica corte em mísseis Patriot e acordo para compra de combustível russo; Trump defende não impor novas sanções a Moscou

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo (18) que decisões recentes do governo americano parecem ter o objetivo de levar o país a capitular diante da Rússia. Em entrevista, o líder ucraniano mostrou que Zelensky acusa Trump de adotar medidas que enfraquecem Kiev, como as restrições à ajuda militar e o acordo de Washington para a compra de combustível russo.
“Acho que foram tomadas medidas para convencer a Ucrânia a capitular. Não estou dizendo que esse seja o objetivo dos nossos aliados. Não quero pensar que nossos aliados americanos possam querer encerrar o conflito mais cedo às custas da Ucrânia. Mas é isso que parece”, declarou.
As críticas surgem em meio ao aumento das divergências entre Washington e Kiev sobre a condução da guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022.
Zelensky reclama de redução no envio de mísseis
Um dos principais motivos de insatisfação é a queda no fornecimento de mísseis interceptadores para os sistemas de defesa aérea Patriot. Esses equipamentos protegem cidades e instalações estratégicas contra os ataques russos.
Segundo Zelensky, o governo de Donald Trump envia hoje apenas 12 mísseis Patriot por mês à Ucrânia. Esse número equivale a um quarto do que era entregue na gestão de Joe Biden. “Pagamos por essas armas”, ressaltou o presidente.
Ele também disse que parte das entregas já foi autorizada, mas o restante segue pendente de aprovação dos americanos. “Parte das entregas já está autorizada, mas o restante não. E não se trata de uma questão técnica”, declarou.
Além disso, Zelensky tem criticado as restrições ao uso militar de sistemas americanos de comunicação por satélite, como o Starlink, principalmente em operações em território russo.
Ucrânia propõe interromper ataques a refinarias
Durante a entrevista, o presidente apresentou uma alternativa para reduzir as tensões com os Estados Unidos. Segundo ele, a Ucrânia poderia suspender os ataques contra refinarias de petróleo russas se Washington acelerasse a entrega dos mísseis Patriot necessários para proteger a infraestrutura ucraniana.
A proposta surge depois de Trump criticar, repetidamente, os bombardeios de Kiev a instalações energéticas da Rússia. O presidente americano alega que as operações ajudam a elevar os preços internacionais dos combustíveis.
“Mas eles só querem que deixemos de atacar o diesel e, se atacarmos, cortam nosso acesso a alguma coisa”, reclamou Zelensky. Vale lembrar que o setor energético é uma importante fonte de receitas para Moscou.
Trump defende acordo e rejeita novas sanções
Também neste domingo, Trump defendeu a decisão de não impor novas sanções econômicas à Rússia. Ele justificou ainda o acordo entre Washington e Moscou que permite a importação de petróleo russo pelos Estados Unidos.
De acordo com o presidente americano, novas medidas punitivas poderiam prejudicar as negociações para encerrar o conflito. Ele afirmou que a eventual assinatura da chamada Lei Graham, que prevê sanções adicionais contra Moscou, poderia levar o governo russo a abandonar as conversas diplomáticas.
Trump também mencionou a atuação russa na guerra envolvendo o Irã. “A Rússia está fazendo muito pouco para ajudar a República Islâmica do Irã, em comparação com o que poderia estar fazendo”, afirmou. Ele voltou a criticar os ataques ucranianos a refinarias, que, segundo ele, causam “grave dano” econômico que também atinge os Estados Unidos.
Eleições americanas preocupam presidente ucraniano
Por fim, Zelensky demonstrou preocupação com o calendário político dos Estados Unidos. Ele acredita que a proximidade das eleições legislativas, marcadas para 3 de novembro, pode influenciar as decisões de Trump sobre a guerra.
“Estes são dias perigosos antes das eleições”, afirmou. A votação definirá a composição do Congresso americano, hoje controlado pelos republicanos, partido de Trump.
Apesar das críticas, o presidente ucraniano disse esperar uma melhora nas relações entre Washington e Kiev após a disputa eleitoral. “Mas, depois das eleições, a vida continua, e acredito que ficará mais tranquila”, concluiu.



