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trafico de drogas lidera atos infracionais entre adolescentes no rio

Levantamento do MPRJ aponta mais de 600 jovens à espera de vaga no sistema socioeducativo do Rio de Janeiro.

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trafico de drogas lidera atos infracionais entre adolescentes no rio
Foto: Reprodução

Vaga no sistema socioeducativo no Rio de Janeiro reúne mais de 600 adolescentes, segundo levantamento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A maioria responde por atos infracionais análogos ao tráfico de drogas e à associação para o tráfico. O dado tem informações de 13 de outubro de 2026.

Do total, 204 adolescentes já têm decisão judicial de internação. Outros 400 receberam internação provisória e deveriam aguardar julgamento em unidades socioeducativas. No entanto, permanecem em liberdade por falta de vagas. A lista também inclui casos de roubo, furto, homicídio, tentativa de homicídio e crimes sexuais.

Tráfico lidera a fila

O levantamento mostra que o tráfico de drogas concentra a maior parte dos casos. A classificação da Central de Vagas considera a gravidade do ato infracional para definir prioridades. Além disso, a pontuação cresce quando há violência ou grave ameaça.

Segundo o promotor de Justiça Afonso Henrique Lemos, quanto maior a pontuação, maior a prioridade para conseguir uma vaga. Furto simples soma três pontos, enquanto furto qualificado soma quatro. Já o tráfico de drogas recebe sete pontos.

O sistema também atribui 12 pontos ao roubo simples e 13 ao roubo majorado. Nos casos mais graves, homicídio simples vale 14 pontos, homicídio qualificado vale 20 e latrocínio chega a 28. Dessa forma, a fila tenta ordenar os adolescentes que aguardam internação.

Casos com histórico recente

O MPRJ também apresentou o histórico de um adolescente que aguarda vaga para internação. Os registros começam em julho de 2023, quando ele tinha 14 anos. Naquele mês, ele furtou duas facas avaliadas em R$ 73 em uma loja de shopping, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.

Depois disso, em janeiro de 2024, ele foi abordado na estação Via Parque com maconha, crack e lança-perfume. Na ocasião, recebeu uma advertência. Dois meses depois, no Recreio dos Bandeirantes, tentou roubar o celular de um motorista. A vítima entrou em luta corporal com o adolescente e sofreu lesão no braço.

Durante o cumprimento da medida, o jovem praticou um ato de violência sexual contra outro interno. Mesmo assim, deixou a unidade quatro meses depois. Em março de 2025, furtou um celular no Aterro do Flamengo. A Justiça determinou a internação provisória, mas ele foi liberado porque não havia vaga disponível.

Em agosto, aos 17 anos, ele voltou a ser apreendido no Recreio dos Bandeirantes. Desta vez, estava com uma pistola calibre 9 mm, um carregador e 24 munições. Aos policiais, afirmou que fazia parte de uma milícia. A Justiça determinou novamente a internação, porém ele não foi encaminhado a uma unidade socioeducativa por falta de vaga.

Capacidade do sistema

O Rio de Janeiro tem 101 vagas para internação no sistema socioeducativo. O tempo máximo de permanência pode chegar a três anos. Ainda assim, a média registrada é de sete meses.

Para o promotor Afonso Henrique Lemos, a demora na aplicação das medidas socioeducativas pode favorecer a repetição e o agravamento dos atos infracionais. Ele também questiona se a capacidade atual do sistema atende às necessidades da sociedade e da ressocialização dos adolescentes.

O Departamento Geral de Ações Socioeducativas informou apenas que a Central de Regulação de Vagas funciona conforme resolução conjunta da Secretaria de Estado de Educação e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Já sobre a falta de vagas, o órgão não respondeu aos questionamentos apresentados.