Trump faz apelo por votos e promete cheques nas midterms
Presidente dos Estados Unidos intensifica a campanha e amplia pagamentos a eleitores às vésperas da votação

Donald Trump fez um novo apelo por votos nas eleições de meio de mandato, nesta terça-feira (3), em Washington. O presidente também intensificou viagens pelo país e ampliou promessas financeiras para mobilizar eleitores.
O discurso ocorreu com o Memorial de Lincoln ao fundo, em um dos últimos atos antes da votação. Trump disse que os republicanos ainda têm chance, caso apoiadores saiam para votar.
As pesquisas, porém, apontam dificuldades para o partido. A disputa envolve a tentativa de manter o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.
Além disso, Trump anunciou cheques de US$ 5.000 aos americanos. Ele também prometeu recompensas de US$ 1 milhão para denúncias de fraudes eleitorais.
Nas últimas semanas, o presidente ainda distribuiu pagamentos de US$ 90 e US$ 500 para ajudar com custos de saúde. Segundo a Casa Branca, milhões de americanos já receberam os valores.
Pagamentos e mensagens oficiais
Dados enviados pela Casa Branca mostram quase 19,9 milhões de depósitos de US$ 90 em 8 de outubro. No mesmo dia, o governo também enviou 874 mil cheques pelo correio.
O benefício alcançou participantes do Medicare, programa federal de saúde voltado principalmente a pessoas com 65 anos ou mais. De acordo com o governo, o dinheiro saiu de um fundo federal destinado a melhorias no programa.
Segundo a administração Trump, os pagamentos compensam parte das mensalidades cobradas dos beneficiários. Esses valores podem ultrapassar US$ 200 por mês.
Allison Schuster, porta-voz da Casa Branca, afirmou que mais de 20 milhões de americanos já têm US$ 90 em suas contas bancárias. Ela disse que a medida ajuda a reduzir custos de saúde.
Em 1º de outubro, o governo também iniciou o envio de cheques de US$ 500 para mais de 950 mil americanos em 30 estados. Os destinatários contrataram seguros de saúde pelas plataformas federais do Obamacare.
Nesse caso, a administração Trump afirma que essas pessoas pagaram taxas excessivas durante o governo de Joe Biden. As cartas que acompanharam os pagamentos também levaram a assinatura do presidente.
Questionamentos sobre a estratégia
A distribuição dos pagamentos chamou a atenção de especialistas em legislação eleitoral. Margaret Dylus-Yukins, advogada sênior do Campaign Legal Center, afirma que a prática pode levantar dúvidas sobre a Hatch Act.
Essa lei federal de 1939 proíbe funcionários públicos de participar de certas atividades político-partidárias durante o trabalho. No entanto, ela não se aplica ao presidente.
Segundo a especialista, a emissão dos pagamentos e das cartas não configura, por si só, atividade política. Porém, a mensagem e a intenção por trás das medidas podem entrar nesse campo.
Ela acrescenta que servidores envolvidos na distribuição de mensagens com intenção eleitoral podem enfrentar penalidades. Ainda assim, isso não significa que os pagamentos sejam ilegais.
A Casa Branca defendeu a iniciativa e afirmou que os repasses fazem parte dos esforços para reduzir custos de saúde. Schuster disse que Trump cumpre sua promessa de colocar os pacientes em primeiro lugar.
A mobilização do presidente também ganhou força em setembro, durante uma convenção republicana em Dallas. Na ocasião, Trump pediu que apoiadores levantassem as mãos e repetissem um juramento de comparecer às urnas.
Depois disso, ele fez outro apelo e disse que quem não votar “vai para o inferno”. Trump também brincou ao mencionar que tentaria trapacear nas eleições, como acusa os democratas de fazer.
As eleições de meio de mandato ocorrem em meio à pressão sobre os republicanos. Assim, Trump tenta ampliar o comparecimento às urnas com viagens, promessas e mensagens diretas aos eleitores.



