Netanyahu pede coalizão sem partidos árabes após eleição em Israel
Premiê quer apoio amplo, enquanto oposição tenta costurar maioria e presidente Isaac Herzog definirá quem abre as negociações.

Após a eleição em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu nesta terça-feira a formação de um governo de ampla coalizão sob sua liderança. A proposta exclui partidos árabes, que conquistaram representação expressiva no Parlamento e podem pesar na disputa por uma maioria. O país, portanto, segue sem definição sobre quem comandará o próximo governo.
Netanyahu disse que quer ampliar a base com aliados e também com partidos que aceitem integrar o bloco.
“Procuramos formar um governo mais amplo com nossos parceiros e com qualquer partido que deseje se juntar a nós e que não apoie o terrorismo. Estou aberto ao diálogo sobre esse assunto”
, afirmou em comunicado nas redes sociais.
Impasse no Parlamento
Quase uma semana depois da votação, Israel enfrenta um impasse político. O Likud, partido de Netanyahu, obteve o maior número de cadeiras, porém nenhuma força política alcançou os 61 deputados necessários para controlar o Knesset. O partido elegeu 27 representantes, seis a mais que o Yashar!, liderado por Gadi Eisenkot.
Netanyahu também afirmou que o resultado das urnas lhe dá legitimidade para seguir no cargo.
“Uma clara maioria do povo judeu escolheu o Likud como o maior partido e me escolheu como primeiro-ministro para liderar o próximo governo”
, declarou. Além disso, ele rejeitou um governo apoiado pelo Ra’am e pela Lista Conjunta, que somaram 19 cadeiras.
Oposição busca alternativa
Quatro forças da oposição — Yashar, Juntos, Democratas e Yisrael Beitenu — descartaram apoiar Netanyahu. Elas anunciaram a intenção de formar um governo liderado por Gadi Eisenkot. No entanto, a costura enfrenta divergências sobre a participação dos partidos árabes na coalizão.
A oposição poderia chegar aos 61 deputados caso recebesse o apoio das 19 cadeiras das duas legendas árabes. Entretanto, Avigdor Lieberman rejeitou tanto a entrada dessas siglas na coalizão quanto o apoio parlamentar delas. Ele defende, por outro lado, convencer deputados do próprio Likud a apoiar uma alternativa liderada pela oposição.
Os partidos contrários a Netanyahu têm reunião prevista para terça-feira, em um hotel próximo a Tel Aviv. Representantes das legendas árabes também se reuniram em Nazaré, no norte de Israel. A cidade tem forte presença da comunidade árabe, que representa cerca de 21% da população do país.
Outra prioridade do bloco opositor é eleger rapidamente um novo presidente do Parlamento. Lieberman indicou apoio a Yair Lapid para o cargo. Lapid concorreu em aliança com Naftali Bennett, e a coligação Juntos terminou em terceiro lugar, com 12 deputados.
Questionamentos e próxima etapa
Antes do pronunciamento de Netanyahu, o Likud pediu à Comissão Eleitoral Central o adiamento da certificação dos resultados. Segundo a imprensa israelense, o partido alegou fraudes na votação da minoria árabe e interferência estrangeira. A comissão, porém, rejeitou o pedido e disse não ter identificado irregularidades capazes de alterar o resultado.
Yair Golan, líder da coligação Democratas, também criticou Netanyahu e falou em possível uso de uma escalada militar para se manter no poder.
“Netanyahu não hesitará em levar Israel a uma escalada de segurança e a um estado de emergência para atrasar a mudança de governo, desconsiderando ditatorialmente a vontade do eleitorado israelense”
, afirmou em vídeo publicado na rede social X.
A decisão sobre a primeira chance de formar governo caberá ao presidente Isaac Herzog. Ele começará as consultas com os partidos na quarta-feira e receberá as demais legendas na quinta-feira. A legislação não obriga Herzog a escolher o líder da maior bancada, mas ele deve avaliar quem tem mais chances de reunir maioria. O político escolhido terá 28 dias para negociar, com possibilidade de mais 14 dias de prorrogação.



